Diva e o seu café da manhã.

A manhã é sempre um processo complexo para uma Diva.

Ontem à noite organizei um pequeno convívio entre amigos em minha casa.

Hoje ouvi o despertador às 9h (porque entro às 10h) e resolvi dormir mais um bocadinho.

Acordei eram 10h15.

Pânico instalado, pijama pelo ar, banho de 5 minutos, tupperware com os restos do jantar para levar para o almoço e porta fora.

Chego à rua, olho bem para mim e penso. Quem é que vai vestida para o trabalho assim? Eu.

Descrição de kit: Casaco cheio de borboto, calças roxas e camisola lilás. Questionam vocês: Calças roxas e camisola lilás?! Sim, se virem uma beterraba com pernas pelo Chiado, sou eu.

Mas adiante, um frio do caraças, começo a minha caminhada habitual para o trabalho que dura cerca de 20 minutos, que incluem a subida da Praça da Alegria para o Príncipe Real. Sim, tenho o nível 3 de alpinismo.

Quando chego ao meu destino, já ligeiramente transpirada, ainda mal vestida e agora bastante despenteada, decido ir ao meu café fetiche.

Este espaço glamouroso do Chiado, cujo nome não vou revelar, conta com uma equipa modelo.

São cerca de 5 pessoas mas destacam-se 3: A Anta, o Conázio e o Quinjolas.

Só tenho tempo para vos falar do mais carismático. O Quinjolas.

Não deverá ser assim que o senhor se chama mas o nome assenta-lhe que nem uma luva. Se o vissem, perceberiam.

Jolas, para os amigos, tem cerca de 50 anos mas sente que tem 30. Sempre cheio de graça e charme, passeia-se pelo balcão de tenazes para bolos em punho que vão batendo fortemente em todo o lado. Suspeito que em tempos tenha pertencido aos Stomp.

Detentor de uma boa disposição irritante, principalmente logo de manhã, é o ser que me diz carinhosamente “bom trabalho” quase todos os dias um pouco depois das 10h. Sim, porque nunca chego às 10h, óbvio.

Hoje, dirigi-me ao balcão um pouco mais tarde que de costume:

– Bom dia, queria um café pingado e uma empada por favor.

– Queria ou Quer? – Diz Jolas orgulhoso da sua primeira piada da manhã, que tem repetido ao longo dos 365 dias por ano, aos mais de 500 clientes que diariamente ali passam.

– Quero. Obrigada. – Digo eu, já exaurida.

Enquanto o piadolas foi tirar o meu café e buscar a bela da empada, eu fui dando um jeitinho ao borboto que disfarçadamente ia deitando no lixo. Assim que reaparece, já com o meu pedido, remata:

– Então menina está com pulgas?- Diz bem alto.

Antes de lhe responder, respirei fundo e olhei em volta.

Percebi que, mesmo ao meu lado, Albano Jerónimo tomava o seu café matinal. Sim, o próprio. E eu, aparentemente com pulgas.

De olhos vermelhos de raiva, olho para Quinjolas e digo solenemente:

–  A minha conta por favor.

– Está aqui o seu cartão menina, é só pagar na caixa. Este não tem crédito, desengane-se! – Mais uma tentativa à lá Malucos do Riso.  Já chorava para dentro.

Paguei e fui fumar um cigarro à porta.

O meu mais recente inimigo, provavelmente percebendo que me estava a irritar, tenta quebrar o gelo:

– Dá-me lume menina?

– Não.

E parti para nunca mais regressar.

Tenho pena é das empadas.

Love,

D.

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