Diva e o Joe Cocka.

Divas

Ontem de manhã senti-me tão mal disposta que acordei às 6h30 sem saber o que fazer. Ainda pensei que a referida indisposição se devesse ao facto de ir trabalhar dentro de poucas horas, mas não. Foi um cheiro muito estranho que invadiu o meu sono e me deixou nauseada. Estava um aroma a whisky no ar que me fez levantar da cama e dirigir-me à cozinha para beber um copo de água. Para meu espanto, quando lá cheguei deparei-me com o Joe Cocka sentado à minha mesa, a fumar um cigarro e a beber um puro malte. Estava explicado. Isto agora é o prato do dia, pensei eu. Já a Duquesa de Alma desceu do céu a semana passada, só para me dar umas palavrinhas.

Como já começo a estar habituada a este registo fantasmagórico, resolvi dirigir-me sem medos ao invasor:

– Olá Joe, tudo em cima? O que fazes por aqui pah? – perguntei, de pijama completo da Primark e umas pantufinhas com a cara de um cão velho.

– Oh Diva, desculpa lá, não queria nada acordar-te tão cedo, sorry. Vim a tua casa porque estava aqui nas redondezas, no Elefante Branco, e não resisti em dar-te um beijinho. Apesar de ninguém naquele antro ter o dom de me conseguir ver, como tu, vou lá de vez em quando para ouvir o You can leave your hat on. É uma forma de recordar o meu sucesso e de me divertir um pouco. Sabes que a vida lá em cima não tem destas coisas…

– Quais coisas? Brasileiras fatelosas? Oh Cocka, tu realmente. Com tantos lugares no mundo, vens aqui para o Conde Redondo? Não podes estar bem da cabeça homem! – disse eu já sentada e a servir-me da sua garrafa. Sempre me disseram que, quando não consegues aturá-los, junta-te a eles. E assim fiz, tratando de me servir um valente copo sem gelo.

A verdade é que estava um frio terrível e, dois dedos de conversa depois, fomos para o sofá onde nos cobrimos por uma manta e ouvimos todos os seus êxitos no youtube. O velhote nem sabia que tinha um canal por lá e ficou absolutamente parvo de alegria. O momento alto foi a sua prestação espasmódica no Woodstock de 69. Parecia a Amy Winehouse em versão masculina, mas ainda mais drogada. Se é que isso é possível. Ai o que nos rimos…

Estivemos na palheta um bom bocado, falou-me das imensas loucuras que cometeu em vida, das noitadas com o Lennon sendo que ainda teve tempo para me confessar que a coisa mais lamechas que fez, foi a música para o Oficial e Cavalheiro. Diz que se fosse hoje, só por cima do seu cadáver.

Contou-me também que era viciado em casas de alterne, álcool, substâncias ilícitas e que achava que estava enganada quanto ao Elefante Branco. Para ele, esta casa está ao nível das melhores lá dos States e merece um justo 8/10. Upa, upa, nunca pensei.

A verdade é que adormecemos os dois por ali e acabei por me baldar ao trabalho dada a ressaca… Quando acordei, já lá não estava o Cocka. Reparei que teve a amabilidade de deixar os copos na máquina e a garrafa no lixo.

Mais uma alma penada que gostei muito de conhecer.

Pena ser má companhia.

Love,

D.

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Diva vai à loja dos Indianos.

Em todas as esquinas de Lisboa existe uma loja de conveniência gerida por indianos. Na minha zona, num raio de 50 metros, devo ter perto de 10 estabelecimentos deste género.  Eu admito que já não conseguia viver sem estes bunkers de Maltesers e tabaco, abertos até às tantas. Ainda assim, e como não sou a favor de monopólios fraudulentos, começo a achar que esta comunidade de indian boys anda a aproveitar-se de nós, de forma fria e calculista.

Não é que hoje fui comprar duas latinhas de atum para o jantar e, quando dei conta, custavam mais de 3 euros cada? Ainda perguntei se era desta que o atum tinha sido extinto de vez mas o génio da lâmpada disse-me que este peixe agora estava muito caro. Sim, o que é servido no Aya talvez, não o Bom Petisco.

Felizmente, acabei por encontrar um atum mais baratucho e, já esquecida deste desplante, parti em busca da minha mais que tudo maionese. Há que tempos que andava a sonhar com uma bela salada russa e todos sabemos que esta iguaria com azeite, é a mesma coisa que o Orlando Bloom sem o dente da frente, right?

Após caminhar por aqueles corredores e ver de tudo, acabei por encontrar a maionese do momento. Aquela nova, suculenta e cremosa, da marca… Pingo Doce. Não conhecem? Sentia-me menos enganada quando ia comprar t-shirts da Chevignon à feira dos ciganos e me diziam que eram verdadeiras.

O engraçado é que estas lojas se empenham tanto em criar prateleiras fantásticas, limpas e organizadas, quando não se preocupam nada em expor produtos de marca branca tão inflacionados como o petróleo. Mas querem ensinar-me o quê? Toda uma vida a consumir produtos do senhor Soares dos Santos para vir um safado das Arábias e vender-me vaselina como se fosse La Mer? Mas o que vem a ser isto? 

Concluindo, paguei o meu jantar de luxo, fiz um olhar impiedoso ao indiano e vim para casa. Quando já tinha todo um prato colorido à minha espera, abro o pote da minha mais recente aquisição e deparei-me com uma maionese tão azeda que, se a comesse, o mais certo era contrair Legionella em vez de Salmonella. Que desconsolo.

Amanhã vou lá dar-lhe uma sova que nem imagina.

É bom que tenha um tapete voador.

Love,

D.

Diva regressa ao Holmes Place.

Alguém muito querido presenteou-me com um voucher de seis meses para regressar ao Holmes Place. Toda contente, fui ao clube mais próximo e dirigi-me ao balcão para completar a inscrição. Perguntaram-me a  que se devia esta oferta e eu disse que era a nova cara da L´Agence. Mentira, mas queria entrar pela porta grande e a rececionista, mesmo não acreditando, colaborou.  Uma querida.

Quando comecei a treinar há alguns anos, era lá que trabalhava o físico. Entretanto, a vida encarregou-se de acabar com o meu barato e tive que aceitar a realidade de ir para um ginásio low cost. Não enfrentei esta contrariedade de ânimo leve mas, infelizmente, não tive outra alternativa. Era isto, ou engordar 3 kgs por mês. Estou certa que compreendem.

Contudo, agora que estou de volta e de cabeça erguida, percebi que estão ali as minhas origens. Já estava farta de treinar com gente pobre que faz fila para tudo. Nestes ginásios do povo, acabamos por ficar mais tempo à espera que vague a bicicleta, do que a pedalar na mesma. De 30 em 30 minutos, lá vamos nós ao WC encher a garrafa de água, porque aos mais desfavorecidos, nem um bebedouro na sala de treino disponibilizam. E cada vez que pedimos a alguém que alterne as máquinas connosco, quase que levamos um tabefe. É muito triste a condição de uma Diva nestes antros, que pensam?

Não, essa vida não é para mim. Ter que levar o saco de treino com gel de banho, creme, secador, toalhas e ainda o tupperware com o almoço, a carteira, o telemóvel, o estojo de cuidados básicos… ufa, são algumas 2 toneladas para carregar às costas. No Holmes, até cotonetes estão à nossa disposição, quanto mais o resto.

Quando fui treinar há dias, a este meu pequeno paraíso, parecia uma atrasada mental a apreciar tudo. Estava a fazer remo e sorria, sorria imenso. Ainda por cima, fui ao clube da Avenida da Liberdade onde a percentagem de gays está  nos 90%, o que nos faz sentir ainda mais livres e desinibidas. Podemos subir ao step sem preconceitos e espetar o rabiosque à vontade, pois ninguém nos vai deixar constrangidas.

Também temos a vantagem de caminhar na passadeira sempre que nos apetecer, sem que nenhum cromo nos julgue por não estarmos a correr. Sim, porque os pobres treinam mais, eu acho. Coitados, acredito que se aplicam porque sem dinheiro, sem fronha ou um corpo jeitoso, o mais certo é que vão parar ao Badoo. E a verdade é que ficam chateados se não dermos o litro como eles. Pensam logo que estamos a ocupar espaço. Agora, até me posso sentar na prancha a ler um livro que ninguém me diz nada. Que luxo.

Quando acabei de exercitar o corpo que Deus me deu, fui relaxar para a sauna. Ai que saudades que eu tinha deste cubinho a 50º… Estava vazio à minha espera. Se fosse no outro, de certeza que tinha que levar com 10 gordas a transpirar para cima de mim. Mas não, estava completamente por minha conta. Até adormeci e quase que batia a bota. Mas correu tudo bem e ainda tive tempo de relembrar o jacuzzi. Pena que estavam lá dois gajos aos melos e acabei por abandonar aquela água repleta de burbujas de amor. Nada é perfeito, pensei eu.

O importante é que agora vou ser feliz por 6 meses.

E acabaram-se os banhos frios, amén.

Love,

D.

Diva vota SIM.

Desde ontem que se fala sobre o facto da lei da adoção, por casais do mesmo sexo, ter sido chumbada pela 4ª vez.

Foi com muita surpresa, ou não, que li que o CDS não teve um único voto a favor. Aparentemente o relógio biológico do seu líder ainda não despertou. A ver vamos, pode ser que rebente nos próximos tempos.

É tão grande a falta de identificação que sinto com esta decisão, que a minha vontade é pegar em todos estes deputados e enfiá-los no Finalmente para um show de 40 horas seguidas com a Débora de Cristal.

Será que vocês, deputados que votaram Não, pensaram que podem estar a privar os vossos filhos de exercer o papel de pai, ou de mãe, no futuro?

Sim, porque a probabilidade de tal “estrago” acontecer, é grande. E não basta inscrever o Manelinho no Rugby, ou no curso de gestão da Católica, para evitar que ele, às escondidas, calce os sapatos da mãe, ou apanhe sabonetes depois do treino. E o pior é que todos os dias, no refeitório da faculdade, entorna o almoço da libelinha do curso ao chão, para mostrar aos amigos que é muito macho. Como o Manelinho, existirão Sofias, Joanas, e por aí fora.

Se não tivermos a audácia de abrir caminho para os mais jovens, estas libelinhas vão continuar a levar nos cornos diariamente, enquanto os outros vão ser uns frustrados para todo o sempre. 

Além de fecharmos a porta a muitas crianças, que só querem ser felizes, são situações como estas que vamos perpetuar.

Vamos mesmo permitir que a nossa orientação sexual nos defina enquanto pessoas?

Para terminar, li um artigo no Observador que mereceu um comentário que eu não resisto em partilhar:

Ainda bem. O “lobby” homossexual não respeita os direitos da criança nem os direitos educativos da criança. CADA CRIANÇA TEM DIREITO A UM PAI E A UMA MÃE. Por isso a adoção ou coadoção de crianças por homossexuais é uma aberração humana e anticivilizacional.

João Almeida Lopes. 

Muito prazer aberração humana. Eu sou a Diva.

Love,

D.

Diva e o Caga para os Trabalhos.

Sempre encontrei emprego através do famoso site Carga de Trabalhos. A verdade é que quando iniciei a minha vida profissional, as ofertas eram mais e as visualizações por anúncio, menos. Talvez seja por isso.

Nunca tinha pensado seriamente neste assunto mas acho que devo ao Carga todos os trabalhos disfuncionais que tive. A falta de plano de carreira, de bom senso das chefias, de ordenados interessantes. Enfim, obrigada por tudo.

Desde há 2, 3 anos tenho assistido a uma mudança deste site, para pior. Para mim ele é um dos reflexos do país em que vivo. E será certamente, como todos os outros sites do género que infelizmente só oferecem o que o mercado fragilizado disponibiliza. Mas será que não é possível filtrar aquela que poderá ser uma oportunidade de um embuste? Será que uma empresa que todos os meses pede estagiários, pode fazê-lo indiscriminadamente?

É por isso que,  sempre que nasce um pop up do cantinho do meu écrã, eu leio: Caga para os Trabalhos. A falta de motivação que este site emana torna-me disléxica . Pelo menos podiam alterar a ordem dos anúncios deste género, de forma a que não aparecessem todos seguidos, não concordam? Já ajudava.

É sempre bom acordar de manhã, para ir dar conta das promessas do futuro, e deparar-me com 40 estágios profissionais e 10 curriculares que oferecem um ambiente jovem, fantástico e descontraído. Mas pensem comigo, o que poderá fazer um grupo de jovens fantásticos e descontraídos sem dinheiro? Arrastões? Ir ao Pingo Doce gamar bollycaos? É isso que nos querem oferecer?

Dou por mim a equacionar se não será bom viver como a outra que diz que troca tudo por tudo e não usa dinheiro para quase nada. Vi que já escreveu um livro e está muito feliz. Será que vai ser essa a história que vou contar aos meus filhos? Olha Pedrocas a mãe não tem dinheiro para o chupa, se fazes favor, troca pelas meias. Será que me vão obrigar a algo do género? Really??

Eu aconselho vivamente o Caga para os Trabalhos a adotar outra estratégia. Encher- se de anúncios que só querem gozar com a nossa cara e tornar-nos aptos a entrar num gangue, não vai melhorar o país. E, já agora, ninguém paga a conta da luz com boa disposição, nem atrasa a renda ao senhorio com muita experiência adquirida.

Tenham noção e não apoiem esta escumalha que faz dos estágios profissionais uma oportunidade para usar a boa vontade dos ingénuos durante um ano, à conta do estado. Se eles são necessários? Claro que sim. Mas não os tenhamos em substituição de um emprego justo e de acordo com as nossas capacidades e expetativas.

Quanto aos estágios curriculares, que oferecem tudo menos carcanhol, pedia-vos que nem sequer os colocassem.

Até um puto que acabou de sair da faculdade precisa de uns trocos.

Nem que seja para vos oferecer um balde de merda no Natal.

O balde custa dinheiro.

Love,

D.

Diva e a Duquesa de Alma.

Hoje acordei às 4h da manhã com um frio tremendo que me atravessou a espinha. Levantei a cabeça para puxar o cobertor, que estava ao fundo da cama, e senti um peso estranho sobre o meu corpo.

Era a Duquesa de Alma sentada aos meus pés. Acreditem se quiserem.

Estava igual a si mesma, de flor na cabeça e com um vestido às bolas coloridas. Assustei-me, dei um berro, fechei os olhos e comecei a rezar. Já devia prever que metade do Pai Nosso, mal decorado, não iria ser suficiente para expulsar este espírito. Assim que abri a pestana novamente, lá estava ela ainda mais perto a olhar para mim.  No meio de todo aquele botox consegui detetar uma expressão dócil que me fez ganhar coragem e perguntar:

– “Duquesa de Alma, o que faz a senhora aqui no meu quarto? Está passada?! O que quer de mim?”

– “Diva, não te assustes, vim ter contigo a esta espelunca porque só tu me podes ajudar” – disse em português perfeito, o que eu achei incrível.

– “Conte-me tudo Duquesa.” – Respondi, já mais calma.

– “Querida Diva, destaquei uma pessoa em cada país da Europa para deixar uma última mensagem aos elementos das monarquias de cada reino.  Após um estudo criterioso, considerei o Divas em Apuros perfeito para as minhas últimas palavras aos Duques de Bragança. – Disse Alma, que acabou por me contar que lê sempre as minhas crónicas no iPad do Steve, com quem tem passado muito tempo lá em cima. Nem queria acreditar!

– “Conte-me tudo Duquesa, estou aqui para si! É uma honra poder ajudá-la.” – disse eu emocionada.

– “Então vá, filha, pega no teu computador e escreve o seguinte:

Caro Duque de Bragança,

Antes de proferir barbaridades, como a mais recente sobre o Charlie Hebdo, lembre-se de tomar aquele comprimidinho que lhe ofereci na última visita oficial. Pelo menos, enquanto dança não diz asneiradas. Concorda?

Querida Isabelinha,

Pensas que ando a dormir aqui no Paraíso?  Sei que nunca usaste o voucher da Zara que te dei como presente de aniversário. Achas que me enganas? Continua a vestir-te na Lisete Modas que vais longe, amiga.

Vocês, só me envergonham. A mim e a todos os duques e duquesas que se prezem. 

Beijinhos aos meninos.

Cuidem-se.

Duquesa de Alma.”

Fiquei impressionada com tamanha assertividade. Ela disse-me que à Letícia não enviou uma mensagem mas sim um cheque para se pôr a andar.

Ficou a promessa que iria publicar as mensagens o quanto antes, e aqui estão.

Alma ainda teve tempo de me aconchegar os lençóis e depois desapareceu.

Vou ter saudades desta velhota maluca.

Love,

D.

Diva e o Masterchef.

Olá caríssimos

Este sábado passei por uma experiência deveras estranha. Fui acompanhar uma Diva familiar ao casting do Masterchef que aconteceu no Estádio do Jamor. Nunca assisti fielmente ao programa mas confesso que lhe achava alguma graça, e que até o considerava digno, dentro da área de entretenimento que nos é disponibilizada pelos canais genéricos que temos.

A Diva Chef, que fez uma viagem com cerca de 3h30 até Lisboa, estava entusiasmada com o seu maravilhoso rosbife. Tudo preparado, e de geleira na mão, lá fomos nós para a fila do check in. Era pior que a da ponte 25 de abril em 1995 mas já nos tínhamos mentalizado para a guerra.

Assim que chegámos, deparámo-nos com imensos aspirantes a chef que falavam das suas experiências anteriores, neste mesmo casting. Pelos vistos existem pessoas que concorrem a estes programas todos os anos e, ainda assim, não perdem a esperança. Coragem.

Na fila estavam senhoras já maduras, jovens com garra, pessoal das beiras que arrastou autocarros de apoiantes, loucos da cabeça que carregavam arcas que, aparentemente, tinham lugar para um leitão da bairrada inteirinho, meninas vestidas a rigor como se fossem para o Guility, entre outros.

Quando passámos o check in, e após já estarmos enfartados das conversas sobre pratos e camas de agriões, espinafres e batata doce, vejo a nossa querida Joana Vasconcelos a tirar fotografias à sua irmã, também ela concorrente. Foi aqui que me caiu a ficha. De facto estávamos perante um programa de televisão que privilegia conteúdos vários, além do talento que cada um tem para a culinária. Achei um bocadinho de mau tom arrastar uma figura pública desta dimensão para o local. Mas rapidamente cheguei à conclusão que cada um joga com as armas que tem, e nós aqui no Divas não somos julgadoras. E também eu estava a acompanhar um familiar.

À entrada, apoiantes e concorrentes separaram-se, e lá fomos nós em modo claque apoiar a nossa Diva, confiantes de que ela iria passar. Não era fácil passar de 500 para 51 mas ela já tinha conseguido fazer melhor na primeira fase. O pessoal das claques estava possuído, gritavam piropos ao Goucha e aos seus chefs de eleição. Megafones, minis, cartazes, t-shirts, chapéus, etc.. uma alegria, assim para o bimbo, que acabou por se revelar divertida. Um dos mais excêntricos apoiantes parecia o Barney dos Simpsons. Este cromo passou a manhã inteira a gritar pela Vivi. Pobre coitada, devia estar lá em baixo a rezar para que ele se calasse. Mas o Barney era rijo e antes a morte, a estar sossegadito com o cartaz em punho.

A nossa Diva teve 15/20 minutos para empratar a sua iguaria, para que um chef assistente a degustasse. Só os pratos qualificados por este grupo constituído por chefs anónimos e ex concorrentes do programa, é que seriam provados pelo famoso júri. A nós pareceu-nos um procedimento normal pois ninguém imaginou que aqueles 3 jurados conseguissem emborcar 500 pratos. Só o Rui Paula é que teria apetite para tal, mas pelos vistos não estava para isso.

Pois bem, aquele fantástico prato que já estava em cima da bancada representava 300 kms percorridos, portagens, gasolina, acordar às 6h para não matar o Goucha com legumes oxidados durante a madrugada, e tudo para quê, perguntam vocês?

Para nem sequer provarem o prato. 

Parece mentira mas é a mais pura das verdades. O avaliador deve ser tão pro que não precisou provar nada para sentir o paladar. Simplesmente se limitou a olhar para o prato e a dizer: “Está muito bonito, parabéns.”

Após esta criteriosa avaliação, percebemos que o júri só se dirigiu às pessoas que já tinham sido escolhidas anteriormente, para provar os seus pratos e entregar as colheres. A nossa Diva não foi selecionada e ainda teve a oportunidade de pinicar um prato de um colega do lado que, mesmo sem ter sido previamente tocado pelo assistente, foi assinalado para ser provado pelo júri e, como tal, apurado. “Estava sem sabor e sem sal…” disse ela. Até podia estar envenenado, sem provar nunca daria para prever.

Depois das 51 colheres terem sido entregues, algumas pessoas decidiram abandonar o barco antes das repetições habituais de texto dos apresentadores. Provavelmente porque devem ter recebido semelhante consideração.

Apesar de não ter acontecido a todos, e provavelmente ter incidido sobre uma minoria, a verdade é que existiram pessoas que levaram pratos intactos para casa. Pessoas estas que perderam horas de vida nas suas confeções que nunca chegaram às papilas gustativas de ninguém.

Aqui ficam algumas questões para refletirem:

  • Será que um surdo pode concorrer aos Ídolos?
  • Será que se eu for com um vestidinho à la Alunos de Apolo, passo no Achas que sabes Dançar, sem ter que dançar efetivamente?
  • Será que não seria mais justo pagarem a figurantes antes de fazerem isto às pessoas? Se pagassem bem, até eu levava a minha massa de atum, só para o número.

Como é que alguém recusa um prato sem o provar? E pior, aprova outro nas mesmas condições?

A nossa Diva ficou triste e frustrada depois deste esforço completamente em vão.

Já nós, jantámos o melhor rosbife das nossas vidas.

Por isso, não ficámos assim muito chateados.

Love,

D.