Diva e as suas aspirações profissionais.

Às vezes tenho inveja daquelas pessoas que, desde muito pequenas, sabem exatamente o que querem ser no futuro. Uns ainda balbuciam palavras e já pregam que serão médicos, professores, padres…

Eu, com 6 anos dizia que queria ser secretária da Tap. É verdade. Uma profissão que, na prática, nem existe. O que fará uma secretária da Tap? Ninguém sabe. Mas por algum motivo eu queria exercer tamanha função de prestígio. Se calhar já previa que a nossa companhia de bandeira, mais à frente no tempo, iria ter um número de greves superior ao dos dias úteis. Política que, por acaso, aprecio bastante.

No fundo, esta minha primeira aspiração encaminhava-me para algo determinante sobre a minha vida profissional. Que eu, no fundo, não estava nem aí para o que iria ser quando fosse grande. E com isto envergonhava os meus pais, claro.

Quando o Joãozinho, filho de amigos, dizia que o seu sonho era ser astronauta, eu largava  a bomba. Eles, coitados, tentavam justificar esta minha opção de vida dizendo que eu gostava muito de aviões, e tal. Mas não, eu gostava mesmo era de carimbar papéis. E ainda hoje gosto. Também morria  de amores por apertar bolhas de ar, agrafar, furar, e daí em diante. No meu imaginário, a secretária da Tap tinha toda a coleção da Papelaria Fernandes.

Com 17 anos tive que tomar a decisão de escolher uma área de formação. Em duas semaninhas antes de me inscrever no curso, decidi que queria ser pivot de televisão. Tal como aquelas mães que dizem que os filhos estão a tirar o curso de diretor criativo, eu achava que ia estudar para pivot. E que não devia faltar muito para estar no Telejornal das 20h.

O problema é que eu nem jeito tinha para repórter de exterior, quanto mais para ser a cara da Sic Notícias. O professor dizia-me que era descontraída e que, portanto, tinha mais perfil para estar na rua. Se calhar tinha razão. Mais do que para estar dentro da sala de aula, isso é certo.

Quando iniciei a minha busca pela Universidade onde iria estudar, a minha eleição recaiu  sobre a esplanada da Lusófona. Sinal óbvio de maturidade. Diria até de inteligência mas não serei tão dura comigo mesma. Uma Diva deve preservar-se e, na verdade, acabei por não cometer tal lapso.

Mal ou bem, sem ter ideia do que queria ser, ou fazer, enveredei pela área que hoje reconheço como a mais certa para mim. Não me enganei muito, vá lá.

Tudo isto para chegar à conclusão que não devemos achar que essas criancinhas que sabem tudo aos 3 anos, e que aos 25 já estão realizadas profissionalmente, são superiores a nós.

Um amigo, também ele um Divo, disse-me uma vez que o mais difícil na vida é descobrimos o nosso talento.  Se o vosso for fazer combinações de cor estrondosas, encontrar peças fabulásticas no lixo, ou descobrir malas de imitação perfeitas na Feira do Relógio, lutem até ao fim.

Não deixaremos que nos subestimem.

Nunca.

Love,

D.

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3 Comments

  1. Razão tinha o seu professor quando vislumbrava que o seu perfil era estar na rua… Quanto ao que fazem na TAP é óbvio para o comum dos mortais: abrem as pernas às patentes que julgam superiores e muitas vezes acabam em apuros, porque de divas nunca tiveram nada.

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