Diva regressa ao Holmes Place.

Alguém muito querido presenteou-me com um voucher de seis meses para regressar ao Holmes Place. Toda contente, fui ao clube mais próximo e dirigi-me ao balcão para completar a inscrição. Perguntaram-me a  que se devia esta oferta e eu disse que era a nova cara da L´Agence. Mentira, mas queria entrar pela porta grande e a rececionista, mesmo não acreditando, colaborou.  Uma querida.

Quando comecei a treinar há alguns anos, era lá que trabalhava o físico. Entretanto, a vida encarregou-se de acabar com o meu barato e tive que aceitar a realidade de ir para um ginásio low cost. Não enfrentei esta contrariedade de ânimo leve mas, infelizmente, não tive outra alternativa. Era isto, ou engordar 3 kgs por mês. Estou certa que compreendem.

Contudo, agora que estou de volta e de cabeça erguida, percebi que estão ali as minhas origens. Já estava farta de treinar com gente pobre que faz fila para tudo. Nestes ginásios do povo, acabamos por ficar mais tempo à espera que vague a bicicleta, do que a pedalar na mesma. De 30 em 30 minutos, lá vamos nós ao WC encher a garrafa de água, porque aos mais desfavorecidos, nem um bebedouro na sala de treino disponibilizam. E cada vez que pedimos a alguém que alterne as máquinas connosco, quase que levamos um tabefe. É muito triste a condição de uma Diva nestes antros, que pensam?

Não, essa vida não é para mim. Ter que levar o saco de treino com gel de banho, creme, secador, toalhas e ainda o tupperware com o almoço, a carteira, o telemóvel, o estojo de cuidados básicos… ufa, são algumas 2 toneladas para carregar às costas. No Holmes, até cotonetes estão à nossa disposição, quanto mais o resto.

Quando fui treinar há dias, a este meu pequeno paraíso, parecia uma atrasada mental a apreciar tudo. Estava a fazer remo e sorria, sorria imenso. Ainda por cima, fui ao clube da Avenida da Liberdade onde a percentagem de gays está  nos 90%, o que nos faz sentir ainda mais livres e desinibidas. Podemos subir ao step sem preconceitos e espetar o rabiosque à vontade, pois ninguém nos vai deixar constrangidas.

Também temos a vantagem de caminhar na passadeira sempre que nos apetecer, sem que nenhum cromo nos julgue por não estarmos a correr. Sim, porque os pobres treinam mais, eu acho. Coitados, acredito que se aplicam porque sem dinheiro, sem fronha ou um corpo jeitoso, o mais certo é que vão parar ao Badoo. E a verdade é que ficam chateados se não dermos o litro como eles. Pensam logo que estamos a ocupar espaço. Agora, até me posso sentar na prancha a ler um livro que ninguém me diz nada. Que luxo.

Quando acabei de exercitar o corpo que Deus me deu, fui relaxar para a sauna. Ai que saudades que eu tinha deste cubinho a 50º… Estava vazio à minha espera. Se fosse no outro, de certeza que tinha que levar com 10 gordas a transpirar para cima de mim. Mas não, estava completamente por minha conta. Até adormeci e quase que batia a bota. Mas correu tudo bem e ainda tive tempo de relembrar o jacuzzi. Pena que estavam lá dois gajos aos melos e acabei por abandonar aquela água repleta de burbujas de amor. Nada é perfeito, pensei eu.

O importante é que agora vou ser feliz por 6 meses.

E acabaram-se os banhos frios, amén.

Love,

D.

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6 Comments

  1. Olá Diva. Adoro o teu blog e a tua abordagem. Divirto-me muito a ler os teus relatos, sem filtro e algo satíricos, que retratam pensamentos e vivências comuns a tantas outras divas.
    Keep up the good work… =)

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