Diva e os Turistas.

Hoje passei metade da manhã a insultar silenciosamente pessoas anónimas na rua. Bem sei que para aliviar o nosso karma, o suposto é fazer exatamente o contrário. Contudo, desejar “bom dia” ou “felicidades” a estranhos parece-me completamente absurdo. Prefiro mil vezes o “Sai da frente atrasado” ou  “Dá para andares direita na rua tantã?”. Tenho consciência que todas as manhãs sou possuída por um pequeno monstro, mas também sei que a população em geral me irrita por motivos que acho válidos. Por incrível que pareça, não são só os tugas que dão cabo do meu sistema nervoso. Também os turistas são responsáveis por grande parte deste meu mau génio.

Passo a explicar porquê:

– Mesmo de férias acordam cedo e, sem banho tomado, invadem os transportes públicos para nos roubarem os lugares sentados. Também nunca atinam com a máquina dos bilhetes do Metro e CP e, se nos apanham a carregar o passe, meu Deus, não nos largam.

– Andam sempre de mapa na mão a pedir indicações. É preciso que alguém lhes diga que 80% dos portugueses não sabe descodificar estes instrumentos. Ainda assim, insistem e fazem-nos identificar o sítio onde estão. O melhor é apontar com o dedo do meio, pode ser que percebam a dica.

– Parecem uns autistas a andar de elétrico e depois queixam-se que foram furtados no 28 porque estavam a olhar para o ontem. Ou para o mapa. Que tansos.

– Adoram andar de Tuc Tuc como se estivessem na Tailândia com 30º. Não consigo continuar este raciocínio, tenho a cabeça gelada só de pensar.

– Estão constantemente em busca de miradouros e sempre prontos para acabarem com a nossa vista. Quando me perguntam por aquele que tem a melhor panorâmica, sugiro o Adamastor. Só gente gira e de bem com a vida. Vale mesmo a pena.

– Por norma, ao lado do Bairro Alto, questionam com toda a pertinência onde ficam os bares. O melhor é enfiá-los num táxi e mandá-los para o Urban. Assim só se estraga uma casa e não temos que levar com eles na fila para a caipirinha XL.

– Andam sempre à caça dos restaurantes típicos, trendy e em conta. Geralmente indico o 100 maneiras para não acharem que somos pelintras e que vendemos tudo ao desbarato.

– Ficam sempre muito pasmados com aquele grupo de dança péssimo, que atua em frente à brasileira, e enchem-lhe os bolsos. Estão a perpetuar esta situação terrível para moradores e trabalhadores, como eu. Sugiro lançar pão na esplanada onde estão sentados para que as suas mesas sejam invadidas por pombos. Pior é se acham graça, o que é bem possível.

– São lambões e não saem do país sem provar o belo do pastel de nata. Recomendo sempre os maravilhosos de Belém.  Digo que só são servidos quentinhos ao Domingo à tarde para que não tenhamos filas durante a semana.

Quem é amiga?

De nada.

Love,

D.

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