Diva nas ruas estreitas do Bairro Alto.

Como ando muito a pé, e sempre pelo Bairro Alto, é recorrente passar por ruas muito estreitas.

Nunca tinha pensado nisto, mas hoje apercebi-me que faria todo o sentido existirem regras no que toca a mobilidade dos peões nestas ruas. Para quem ainda não as visualizou, falamos de zonas onde a calçada tem uma largura muitas vezes inferior a 60cm e, portanto, só é possível passar uma pessoa de cada vez.

Na maior parte das vezes, os transeuntes que se encontram em sentidos inversos do mesmo passeio, já se estão a ver ao longe há quase meio minuto. Ou seja, caminhando em sentidos contrários, vão cruzando olhares felinos e pensando no sortudo que irá prosseguir em frente, e no urso que terá que se lançar à estrada para libertar a passagem.

Por considerar este assunto de extrema relevância, resolvi estudá-lo, chegando rapidamente à conclusão que, nesta situação de risco, se repetem alguns padrões de comportamento interpessoal entre estranhos, pelo menos no Bairro Alto.

Ora vejam se concordam:

Senhoras de Idade –  Ao longe, raramente nos conseguem ver. Se não nos lançarmos à estrada, a probabilidade de placagem é 100%. Se, por acaso, não tomarmos a atitude de sair do seu caminho, preparem-se para o pior. Com estas senhoras nativas do bairro, os insultos vão de porca para cima.

Bichonas do Bairro Alto – Têm a mania que desfilam por todas as calçadas do país e ficam possuídas com Divas com atitude. Quanto a estas, o melhor é seguir em frente com toda a força. Que ganhe a melhor neste confronto de titãs na passerelle. 

– Betos – Se forem do sexo masculino, e aqui tenho que dar a mão à palmatória, são dos poucos que saem do passeio para dar lugar a uma Diva, e muito bem. Se forem betas cansativas, é fazer o favor de lhes dar um leve empurrão. Especialmente se vier uma carrinha, das grandes, a passar na estrada.

– Trolhas – Rebarbados incorrigíveis, fingem que não nos estão a ver para irem propositadamente contra nós. Como estão geralmente pintados de fresco, temos mesmo que nos atirar à estrada para que não nos manchem os trapos. Com azar, ainda levamos um apalpão no meio do lance. São do pior e estão quase sempre com os copos às 10h.

– Freaks/Carochos e seus cães – Como a rua é a sua casa, têm a mania que mandam mais que os outros. É por isso que nos ignoram e, se for preciso, vão caminhar para estrada enquanto os seus cães se mantêm, como verdadeiros lordes, no meio do nosso trajeto. Sugiro dizer bem alto: “Uga, Uga, olha a bófia!” E é vê-los correr.

– Turistas – Costumam parar a meio do percurso para dar uma olhadela no mapa. Como vão felizes e saltitantes, é melhor mudar de passeio antes que tenham a hipótese de nos sorrir.

Odeio pessoas contentes quando estou a caminho do trabalho.

Love,

D.

Diva e as Tribos Urbanas Parte 3 – A Manicure

Trata-se de um grupo sui generis dentro das Tribos Urbanas que conhecemos. E não, não estamos a falar da técnica que as esteticistas utilizam para o embelezamento das mãos, nem sequer nos estamos somente a referir às pessoas que trabalham na área da Estética.

A personagem, à qual apelidamos “Manicure”, pertence a um género que vive apenas na esfera feminina e que geralmente se vê a partir das 23h.

Vamos conhecer as suas interessantes particularidades:

– Notívaga por natureza, é geralmente barmaid mas auto-intitula-se de barman. Não vale a pena explicar-lhe a diferença, o solário acabou com a maior parte das suas capacidades cognitivas.

– Durante o Inverno só se vê de noite, no Verão faz um esforço para ir para a Praia da Torre onde se encontra com os seus amiguinhos.

– Possui unhas de gel há mais de 10 anos e, desde então, nada de natural lhe cresce nas pontas dos dedos. Deverá ter sempre desenhos nas unhas, e berloques, caso contrário, não corresponderá aos interesses comuns do grupo a que pertence.

– Tem madeixas loiras desde que se conhece. Também são admitidas descolorações de outros tons mas, geralmente, as líderes do grupo, possuem as loiras. Se tiver extensões, beneficiará ainda mais do seu estatuto de Manicure.

– Trabalha arduamente para manter as suas poupanças, com o objetivo de colocar mamocas de silicone. Desde os 12 anos que são a sua maior prioridade. Chora todas as noites enquanto não as tem dentro de si. Coitadinha… Percebe-se, não é fácil.

– À noite, e fora do seu local de trabalho, só pode frequentar sítios onde vão os seus pares, portanto, Dock´s, Main, In Seven, entre outros espalhados pela Margem Sul, que não tenho conhecimento suficiente para citar. Faz o possível para rodar as Ladie´s Night porque o dinheiro não abunda e os cigarros de chocolate são realmente mais caros.

– Tem permissão para comprar roupa um pouco por todo o lado se bem que, se adquirir os seus trapos na Bershka, será bem vista e usufruirá de uma uma melhor integração.

– Acompanha as novas tendências da Moda inspirando-se na Casa dos Segredos e na sua atriz favorita, Rita Pereira.

– Geralmente vive entre Queluz e o Cacém, mas acredita que ainda irá ter uma mansão na Marisol.

– O seu homem de sonho joga futebol e abre mais do que 5 garrafas por semana na discoteca, dentro daquelas que referi anteriormente. Ainda sobre o seu parceiro sexual, este deverá possuir um braço com um diâmetro superior a 20cm e estudos inferiores ao 9º ano.

– A Manicure não usa a regra do Com decote – só Calças e Com saia- sempre sem decote. É muito livre nas suas escolhas de look. 

– Geralmente são comparadas às vacas mas eu não acho isso certo.

As vacas são queridas e eu gosto muito delas.

Love,

D.

Diva e as Tribos Urbanas Parte 2- O Freak

Para dar continuidade ao material inerente à minha tese sobre Tribos Urbanas, hoje trago-vos o Freak: 

– O verdadeiro Freak nunca fez pedicure na vida. Pode ter dado, em tempos, uma breve cortadela na unhaca do dedo do pé, mas nunca uma pedicure digna e decente.

– Não tem televisão em casa e faz questão de informar todos aqueles que o rodeiam que não usufrui de tal objeto.

– Pratica Yoga, Reiki e Fumício. A primeira é para encontrar o equilíbrio, a segunda para obter o poder da cura, a terceira para perder tudo o que encontrou até então e voltar ao princípio.

– O Freak não vai a festivais. Só vai ao Boom. Aproveito para dizer que, aqui, estou em total concordância com os seres desta espécie. Há festivais, e depois existe o Boom, esse planeta mágico sem comparação no Universo. E não, não sou freak. Também dou continuidade a este tópico, referindo que não valerá a pena aos betos, ou às pessoas comuns, mascararem-se de freaks para ir a este festival. Para já, é uma coisa que se nota. Depois, é simplesmente ridículo.

– A geração desta raça em Portugal também frequenta o Avante e diz que se identifica com o Bloco de Esquerda. Contudo, nunca tira o cú da cama para ir votar. Prioridades.

– Tem a mania que é vegan mas come atum às escondidas. Também anda sempre a tentar perceber o que é de facto derivado do leite, mas engana-se constantemente e passa a vida a ingerir laticínios.

– Mantém uma horta ativa onde, além de legumes, também há espaço para plantar uma ervinha biológica. A única da qual cuida religiosamente, os legumes é só para o número.

– Não deverá usar roupa de marca, apenas calças de Aladino e casacos com borboto. Faça chuva ou Sol, tem que ter sempre os pés de fora. Havaianas não são permitidas e Crocs, só a alguns.

– Banho, só com muita precaução. A água é um bem essencial que deverá ser muito preservado. Daí também ingerirem mais cerveja que água. Chás, só o especial da casa com sabor a cogumelos selvagens.

– Podem ter rastas, tererés e tororós mas nunca um cabelo liso e sedoso. Isso é que não.

– Nesta raça, há quem ouça trance e outros, músicas do Mundo. Estes últimos não deverão, em tempo algum, ouvir musicas cantadas em línguas que compreendam, apenas estão habilitados a ouvir dialectos que ninguém sabe identificar de onde provêm.

– Nunca têm dinheiro e têm a mania de se armar em cravas. Comigo, estão lixados.

Love.

D.

Diva e as Tribos Urbanas Parte 1- O Hipster

Tenho sido alvo de críticas pelas crónicas que tenho escrito sobre a população beta, à qual me refiro com alguma regularidade. Se me acompanham, percebem que esta raça me causa alguma espécie e que faço o possível para evitar os locais por onde andam os seus nativos. Não gosto deles, pronto. Tenho dito. Shoot me.

Contudo, isto não significa que seja apologista de quaisquer outras tribos urbanas que por aí andam. Muito pelo contrário. Sempre me irritaram estilos demasiadamente assumidos que levam a comportamentos estereotipados e pouco flexíveis.

Faz-me algum sentido a  afirmação da personalidade de cada um através do que veste, não fosse eu uma Diva apaixonada por trapos. O que realmente não me diz nada, são as regras que aparentemente os pertencentes a estas tribos têm que cumprir para continuar a respirar dentro do seu rebanho.

Hoje, vamos dedicar-nos ao manual de normas que deve ser cumprido pelo Hipster: 

. É obrigado a ir, pelo menos, a duas exposições de arte por mês, mesmo que a obra em questão não lhe diga absolutamente nada.

. Se não é licenciado em nenhum curso que dá automaticamente acesso ao grau de Hipster, como sendo Artes Plásticas, Cinema ou Música, deverá ocultar a sua formação, em prol da boa integração na comunidade.

. Apenas está apto a frequentar o Cinema Ideal, o Nimas, e em último caso, o Monumental. Uma ida ao Colombo significa expulsão automática. Ver as 50 Sombras de Grey, o exílio.

. Teatro, só pode ir ao Teatro Praga. Se, porventura, é apanhado no Politeama, morte será a pena mais leve.

. Copos só no Intendente, noitadas só no Lux, único sítio onde lhe é permitido cruzar-se com seres de outras espécies.

. Música, só deverá ouvir bandas escandinavas, ou com um número mundial de fãs inferior a 3000.

. Roupa em segunda mão é um must, mas deverá ser adquirida em Londres. Em Lisboa, pode frequentar a Feira das Almas mas sempre com a ressalva que andará por lá unicamente para ser visto. A compra efetiva não é permitida.

. Ir ao cabeleireiro, só se for no Bairro Alto e nunca deverá pagar menos do que 40€ para cortar as pontas.

. Um ser deste tipo, em tempo algum, poderá calçar uns ténis que não tenham sido descontinuados no mercado, portanto, anteriores a 1990.

. O Hipster tem como obrigação esconder todas as tatuagens cliché que fez ao longo da vida como estrelinhas, tribais no fundo das costas e afins. Piercings em cima, ao lado e em baixo do lábio, idem.

. Se for do sexo masculino deverá manter uma barba além dos 7cm e, se for gaja, uma franja digna.

. Por último, tem que usar óculos mesmo com visão 5.

Ahhh e nunca se deverá assumir como Hipster, claro.

Não será um pouco triste viver nesta falta de liberdade?

Obrigada pelo vosso tempo Divas.

Love,

D,

Diva e as Mulheres Pequenas.

Já me tinham avisado que as mulheres pequenas não são de confiança. Muito pelo contrário, são matreiras e estão constantemente a tentar enganar as mais altas.

Se repararem bem, estão sempre com a cabeça na direção dos nossos seios, o que é para lá de desconfortável. E como parecem crianças, fico com medo que me saltem à mama à procura de leite. Apenas por cautela, sugiro que mantenham uma distância de segurança razoável quando estiverem a privar com pequenas, abaixo de 1.60m.

Ressabiadas porque lhes falta um “bocadinho assim”, fazem questão de nos lembrar que pesam 45 kgs, usam o XS e calçam o 36, colocando propositadamente o dedo na ferida daquelas que têm um pezinho 40 e para quem o S nunca foi uma realidade. Nem aos 6 anos. E sim, estou a falar de mim.

Estas mulheres de 1,55m às quais me refiro, são muito apreciadas pelo público masculino. Tudo porque parecem penas e podem estar ao colo dos homens sem que se torne doloroso nos primeiros três minutos. Também preservam uma aparência jovem por mais tempo, apesar de sofrerem de joanetes crónicos, próprios de quem usa saltos altos desde os 11.

Normalmente estas mulheres arraçadas de pinipom são sempre as mascotes do grupo, as mais fofinhas, queridinhas e indefesas. Geralmente, são tratadas pelo seu diminutivo porque simplesmente lhes cai bem.

Contudo, dentro do corpo e ar infantil das Joaninhas, Clarinhas e Aninhas, existe um cérebro adulto que subestimamos. Um pensamento atroz que se aproveita do aspeto naif para conquistar o mundo dos altos, passando por cima dos corpos opulentos sem dó nem nem piedade. Nunca se esqueçam disto, ok?

Em Portugal diz-se que a mulher se quer pequenina como a sardinha.

Eu cá não gosto de sardinhas desde que ia morrendo com uma espinha de uma na garganta.

Bom fim de semana Divas.

Love,

D.

Diva e Jean Michel Basqueiro.

Por volta das 4h30 da manhã ouvi um som estranho, como se tivesse obras em casa. Saí da cama, vesti o robe, e lá fui eu em busca do barulho. Vinha da marquise.

A luz da lua batia nas minhas telas japonesas, compradas naquela loja sueca de luxo que ninguém conhece, o que me permitia ver uma silhueta louca e dançante, ao som das trombetas irritantes de Miles Davis. Desde que me conheço que odeio a sonoridade deste cromo do jazz e, sempre que digo isto, alguém quase me esgana. Mas é verídico, há poucas coisas mais que me deixam neste estado de depressão.

Aproximei-me do local do crime, afastei a tela e deparei-me com o Jean Michel Basqueiro  a pintar a porta da minha cozinha, aparentemente acabadinha de arrancar. O barulho estava explicado. Passei-me e dirigi-me ao louco que, além de arruinar a minha casa, estava com a televisão e as trombetas aos altos berros, a fumar um charro dentro da minha sala, tudo enquanto pintava desalmadamente com tinta fresca que caia em cima do meu tapete. Toda esta visualização acabou com a minha serenidade mental, fazendo-me surtar completamente:

– Mas que merda vem a ser esta ó Basqueiro?? Apareces-me aqui em casa a estas horas, arrancas-me a porta da cozinha, e eu que me oriente? – Disse, sentindo-me já um pouco arrependida pelo tom agressivo que acabara de utilizar. No final de contas, estava perante uma estrela que admirava…

– Oh Diva, não sejas assim! Lembrei-me de ti e esta porta inspirou-me. Fez-me lembrar aquelas que apanhava nas ruas de NY quando comecei a pintar e não tinha dinheiro para comprar telas… a tua casa tem uma super aura, parabéns!

– Desculpa lá, ó Basqueiro, passei-me da cabeça… Se não te importas, abre só um pouco a janela que já estou a ficar zonza… é incrível receber-te aqui em casa, a ti e ao teu caos criativo. A que devo tamanha honra?

E foi aqui que Basqueiro me explicou tudo. Andava há uns tempos a acompanhar-me lá de cima e percebeu que eu sou uma inquestionável admiradora da sua obra. Como tal, resolveu recompensar-me fazendo-me uma visita. Foi uma oportunidade esotérica de lhe dizer que me interessava bastante pela sua arte e que tinha pena que se tivesse perdido tão jovem. Ele mostrou-me que agora está ótimo, que já deixou a fruta, e que está a produzir como nunca.

Disse-me também que tem feito festas poderosíssimas lá no Paraíso e que, desde que recebeu a Amy Winehouse, tem sido uma loucura… Apesar de nas terras do Senhor não haver nada que se beba, estes dois conseguiram descobrir plantas fantásticas por aqueles jardins sem fim…

Como também seria de imaginar, tem passado imenso tempo com o Andy Warhol e, desde que lá chegou, continuam a ser as comadres que eram na Terra. Fiquei sensibilizada por saber que estes queridos se voltaram a encontrar. Que amorosos.

Depois de termos falado sobre as saudades que tinha de NY, de todas as celebridades com quem se tinha cruzado, e de todos os retratos que fizera delas, foi hora de nos despedirmos.

Estava despedaçada, não queria nada que se fosse embora.

Devo dizer-vos que fiquei com uma porta simplesmente maravilhosa.

E toda uma marquise para limpar.

Love,

D.

Diva vai ao Hospital de S.José

Queridas

Este fim de semana fui atacada por um bicho do demónio que penetrou as minhas amígdalas e, às portas da minha garganta, cultivou um bróculo feio, doloroso e acima de tudo, persistente.

As amigdalites, como esta, assim como as faringites ou laringites, têm sido o meu karma desde pequena. Por esse motivo, assim que sinto algo dentro de mim a florescer, dirijo-me ao hospital de onde não saio sem o meu chuto de penicilina. Parece masoquismo mas não é, acreditem. Não há nada mais eficaz para acabar com estes bróculos, do que uma injeção de penadur bem dada dentro da linha do biquini.

Por conveniência, dado que fica muito perto da minha casa, fui ao Hospital de S.José de onde, à semelhança do centro de saúde dos Anjos, trago sempre algo para contar. Devo dizer-vos que a sala de espera desta instituição pública de saúde estava uma beleza. Parecia a Caras Angola, mas melhor. Só gente gira, bem vestida e, principalmente, cheia de saúde. Assim que escolhi criteriosamente a cadeira, onde iria dormir durante as próximas 2 horas, ouço uma senhora da terceira idade gritar:

– Anda uma pessoa a pagar os impostes para ter que levar com este pivete?? Alguém que tire esta alma daqui, por favor? – disse, em modo varina, apontando o seu dedo para um senhor que, por sinal , estava sentado a poucos centímetros da minha cama de eleição.

Realmente o cheiro era nauseabundo. Acontece que o pobre é cá da rua e, como às vezes de manhã me diz bom dia, tive pena e pedi à senhora para se acalmar. Mas já era tarde. Todo um motim estava criado para expulsar o cebolinha dali. O coitado nem tinha consulta, só estava lá sentado porque é alérgico ao sol.

O motim fez-se, entre a varina, uma senhora cigana e um casal de idosos que desde que tinha passado a triagem estava contra tudo e todos. O senhor acabou por se ir embora. Quinze minutos depois da sua saída triunfante, foi altura do seu cheiro finalmente abandonar-nos. E tudo porque a senhora do guichet disponibilizou o seu ambientador, natural do WC restrito aos funcionários, que acabou por amenizar o odor e, consequentemente, o sofrimento geral que se vivia naquela masmorra.

Enquanto isto, e como de costume, estava toda a gente na sala a odiar as pessoas que iam sendo chamadas à sua frente, enquanto o bróculo ia tomando conta de mim.

Às tantas, já eu dormia há pelo menos meia horinha no ombro de um velhote, aparece uma manequim histérica em cena. Aparentemente, tinha acabado de se espalhar na passarelle da Moda Lisboa. Chorava imenso com dores no pé e ainda vinha com uma plataforma calçada para não sujar a outra pata… Dizia, berrando, que tinha desperdiçado a oportunidade da sua vida e que agora estava perdida. Foi aqui que me lembrei que há sítios pior frequentados que este Hospital. Nem me lembrava que estávamos nos 3 dias em que as aves raras atracam no Pátio da Galé.

“Diva, ao Otorrino por favor!”- Finalmente o céu se lembrava de mim.

De cabeça erguida, e de óculos de sol postos, entrei finalmente na sala do médico.

Vim de lá com uma receita letal para acabar com este bicho.

Hoje, estou bastante melhor obrigada.

Love,

D.