Diva vai correr.

Ontem, por motivos profissionais, não consegui ir malhar o corpo e a mente ao Trumps II (Holmes Place da Avenida da Liberdade).

Já em casa, frente ao computador, comi qualquer coisa e depois pensei que talvez não fosse má ideia ir correr para rua assim que terminasse as minhas obrigações/ pincéis próprios de uma account.  Sem nada que me prendesse, vesti o meu kit Barbie desportiva fatelosa, liguei os meus phones ranhosos ao iCoise e lá fui eu.

Estava já a fechar a porta da minha maison quando pensei, espera lá, tenho que levar as chaves de casa, certo?! Ao contrário desses corredores profissionais de rua, que levam aquelas bolsas presas ao braço para guardar objetos como chaves, o medidor de batimentos cardíacos no pulso, a água agarrada à perna e, ainda, o auricular no ouvido, eu levava as minhas merdas no bolso do casaco roto da Decathlon. Ainda assim, a chocalhar tal como um espanta espíritos no meio de um furacão, fui rumo ao Campo dos Mártires da Pátria.

Eram 22h30, portanto, uma excelente hora para “passear” naquela zona. Comecei a dar a volta ao jardim e acabo por me cruzar com um casal que, em conjunto, pesava cerca de 250kgs. Percebi que, tal como eu, tinham acabado de chegar. Pareciam claramente empenhados. Diria quase que estavam a dar tudo o que tinham.

Continuei o meu caminho para a segunda volta e torno a ver o couple do momento. Já estavam a alongar. Que rápidos! Estou certa que devem ter perdido cerca de cinco calorias. Nada mau para quem jantou cinco Big Mac

Eu também não podia falar muito porque, depois da segunda volta, já estava a babar no chafariz do jardim, como um cão que ficou preso em casa sem água durante uma semana. Mas assim que percebi que estava a cair, levantei a cabeça e não desisti.  No meu tempo, muito próprio por sinal, fui até ao Martim Moniz, agarrada ao telemóvel e a fugir dos piropos dos agarrados, tornei a subir a Rua de São Lázaro, acabando por regressar à zona mãe, já perto do Jardim do Torel.  Ali perto vejo um rapaz com pinta a passear o seu cão e, armada em esperta, resolvo mudar o meu estilo de corrida. Passei de uma foca aleijada para uma gazela. Consigo fazê-lo sim senhora, por segundos, claro. O pior é dar continuidade. Então, em modo esbelto e com uma passada larga e digna, passo ao lado do pintas. Ainda não estava a um metro de distância dele quando começo a ouvir o cão, pequeno e raivoso, a ladrar furioso e a correr atrás de mim! Sem me aperceber, passei  de uma gazela lenta a um sósia do Obikwelu.  Quando acordei do susto, já estava no Campo dos Mártires da Pátria outra vez e sem feras por perto…graças a Deus. Raio do cão raivoso estragou-me o lance.

Quando finalmente regresso ao meu querido pátio, transpirada como tudo, vejo o meu vizinho à janela a fumar um cigarro. Já não deu para fazer os alongamentos, como previsto. Chega de figuras.

Love

D.

Diva vai ao Cais do Sodré.

É um erro que tenho cometido com alguma regularidade mas do qual só me apercebo tarde. Ir ao Cais do Sodré à procura de diversão, ultimamente, é a mesma coisa do que ir ao McDonald´s em busca de sardinhas.

E não falo só da música que está cada vez pior, ou das bifas escaldadas que dão gritos que se ouvem a kms de distância. Falo da afluência de pessoas em geral e, em particular, do espectro masculino disponível para a mulher solteira.

Não digo com isto que uma mulher livre não tenha motivos bem mais importantes para sair, do que ver umas carinhas larocas. Não há nada melhor do que estar entre amigas sem estar preocupada com quem nos rodeia. Contudo, o Cais do Sodré, além de estar cada vez mais decadente em termos de propostas de diversão, ainda nos deixa deprimidas com as abordagens masculinas que por ali se encontram.

Por favor digam-me se concordam comigo: 

. Jamaica

Dizem que é o sítio mais eclético do Cais. Para mim é o sítio de maior engate por m2 de Lisboa. O desinteressante é que não há critério para se meterem contigo. É o desespero masculino em alta escala. Se for preciso, queimam-te com um cigarro para conseguirem um mísero “Olá!”. Tenho as minhas dúvidas que resulte.

. Europa

Às 2h já estão em after hours, já tomaram pelo menos duas pastilhas, já se embrulharam à porrada, já se cruzaram com um dragão no WC e curtiram com duas gajas. Queres isto para a tua vida?

. Pensão Amor

Ai adoro os sítios da moda onde nem consigo entrar para ver o que se passa lá dentro. Percebem? Aquela fila dá-me vómitos.

. Bom Mau e o Vilão

Antes fosse bom, mau quando necessário e tivesse aquele olhar de vilão que tanto apreciamos…Mas não. Por aqui encontra-se um género abetalhado, mal amanhado e com a mania que é alternativo. Não há nada pior do que um beto armado em alternativo. Tenho dito. O espaço é giríssimo (tá a ver?) e por isso vale a pena.

. Duplex

O nome é sugestivo mas desenganem-se. A única analogia que consigo fazer é que por lá também se vê a dobrar. 50% são turistas, o que até pode ser interessante se não tiverem nascido em Lyon ou New Castle e 20% são betos com mais de 40 anos desejosos por oferecer um gin especial às meninas. Se fosse a vós, aproveitava a borla e tentava a minha sorte nos restantes 30%.

. Champanharia do Cais

Se pensas que te vão oferecer um flute de champanhe e caviar, podes esquecer. Ali os universitários vestem camisa mas só bebem Raposeira. Se podes encontrar gente gira neste bar? Talvez. Contudo, para seres notada, terás que calçar umas botas de biqueira de aço para afastares as betas de 20 anos cheias de si, sempre em busca do mais giro da festa.

. Velha Senhora

Espaço engraçado – Check.

Gente engraçada – Check + ou –

Música engraçada – Check.

Ar condicionado – No.

Quebras de tensão – Check.

INEM – Não, obrigada.

O melhor é ir à Rosinha ver do Gordon´s e acabar no Lounge para um pézinho.

Chegar a casa e comer o resto do jantar, para dormir de barriga cheia, também não é má ideia.

Love,

D.

Diva vive Sozinha

Viver só, para alguns, é um problema. Para mim é gratificante. É aprender a estar comigo e a ter tempo apenas para mim.  É um silêncio, uma paz e, principalmente, uma arrumação nunca antes vista. Não estou com isto a dizer que viver sozinha é que é bom. Mas é, sem dúvida, uma experiência única que todos devíamos ter numa idade madura.

Fiz uma pequena introspeção sobre os pontos positivos de viver numa casa só para mim e partilho as minhas ilações com todas as inquilinas solitárias:

– Deixei de gritar quando vejo um ser rastejante não identificado. Mando-me para cima dele com toalhas, pás e vassouras. Viro uma besta perto de um bichinho da madeira.

– Passei a não jantar depois das 22h30 porque não tenho paciência para cozinhar só para a minha alma de Diva. Isto, para mim, é um perfeito milagre. Como qualquer coisa, claro. Algo com maionese e ovo cozido está perfeito.

– Dobro lençóis sozinha e estou a pensar seriamente em passar a ferro as capas dos edredons, quando estas já estiverem colocadas na cama.  Não é de génio?! Aprendam que eu não duro sempre.

– Tenho sempre a TV ligada no canal que eu quero, mesmo que esteja a ler um livro. Toda a gente sabe que, mesmo quando não estamos a olhar para a dita cuja, gostamos de ir dando uma olhadela no Masterchef Australia. 

– Passei a beber sumo, água e leite da garrafa sem sentimento de culpa. Não me julguem, suas sonsas. Vinho não bebo do gargalo, naturalmente. A classe tem os seus mínimos.

– Acordo de manhã, meto o rádio no máximo e ainda tenho tempo para um mini show privado de dança frente ao espelho.

– Posso sentar-me no sofá e dizer: Esta merda é toda minha.

Isso é nice 🙂

Love,

D.

Diva e as “Portas Abertas”.

Ontem dei por mim a pensar na frase É uma porta que se abre e que nunca mais se fecha. É uma expressão que me diz bastante, nem eu sei porquê… (A Diva está a ficar Cucu..!!)

Aqui vão as minhas “portas abertas” que dificilmente se fecharão tão cedo:

Boom Festival

É uma experiência única, um pequeno paraíso na terra. E não, não sou nenhuma freak e não costumo ficar uma semana acordada. Quem não vai, não sabe o que perde. Quem fala mal antes de ir, será meu inimigo forever.

Toalhitas desmaquilhantes

As desgraçadas entupiram-me os canos do WC mas, ainda assim, não vivo sem elas. Perdoei-lhes e, por elas, pedi perdão ao canalizador. Dei o corpo às balas por estas queridas mas, cano abaixo, jamais!

Chinês Clandestino

Nunca mais vou conseguir passar 15 dias seguidos sem comer aquele Pato à Pequim. (Ou pombo, ou gato… Quero nem saber).

Kinder Bueno

Sempre que estou na caixa do Pingo Doce, pisca-me o olho. Não lhe consigo resistir. Primeiro como um palito. 30 minutos mais tarde, traço o outro. E nada de partilhar como diz a Nelsinha das Évoras. Ela é que é muito “generosa”. Interpretem como quiserem.

Desodorizante para pés

Os All Star agradecem. Eu também.

Trolhas giros

Desde que as minhas mudanças foram patrocinadas por dois trolhas dignos da Men´s Health não consentirei  que ogres feios me prestem serviços semelhantes. Tenho dito.

Adamastor nos finais de tarde de verão.

Gosto. Sempre gostei. E não, não tenho medo das pessoas que lá vão. Salve-se quem puder.

Feast

Quem me tira o Feast, tira-me tudo. É o melhor gelado de sempre. E não, não tem chocolate a mais, isso não existe.

Praia das Avencas

A famosa praia vertical da linha (porque a maré enche tanto que não temos outra hipótese se não permanecer na vertical) é um repouso para quem quer apanhar um bocadinho de sol este verão, sem ter que ir a Espanha (Margem Sul). Aconselho. E não é preciso levar toalha. Tudo muito prático, portanto.

Soutiens Nude 

Como se confundem com a pele, dá aquele ar de que estamos ao natural. Se forem com caixa, parece que as temos maiores. Cada uma faz o que pode…

Love

D.

Diva vai à Bica.

Quem gosta de Lisboa, gosta de Santos Populares. A noite de 12 para 13 é deveras complicada, eu sei, mas os dias anteriores são ligeiramente mais calmos. Eu, para variar, passei pelo arraial da Bica. Tudo porque não consigo resistir ao cantor que por lá atua. É simplesmente maravilhoso. Canta tudo com um certo glamour e improvisa como ninguém. Sempre que o vejo faço os meus melhores olhinhos.

O pior da Bica é mesmo a betalhada juvenil. Parece que o Lux teve um filho com o Urban e depois, não contente, pediu ao Main que o criasse. Foi assim que nasceram os Santos na mítica rua do elevador. Betinhas de calçonete curto e betinhos de camisa arregaçada, fazem as delícias do Tinder naquele dia. Está tudo a centímetros de distância. E a passar os olhos pela multidão, a pente fino, para verem se encontram um piolho que pouse no seu leito.

Já sem sede, e depois de duas capirinhas, eu mesma esbarrei contra o Mundo. O Mundo que só dá um beijinho mas que, aparentemente, sabe as letras dos Santa Maria de cor… Enfim. Gente gira e normal, por ali, estava escasso. Mas como o meu grupo era animado, mantivemo-nos pela zona.

Às tantas, começo a sentir toda uma multidão vinda do gueto para saquear os marialvas. Meti logo a mão à bolsa, não fossem eles querer o meu iPhone 4 obsoleto que, apesar de lento e desfocado, faz as minhas maravilhas. Começo a ver o grupo, com ar de má fila, a aproximar-se daquelas betas horrorosas que, de tão bêbadas, já perderam o par da Paez e já mandam perdigotos para tudo quanto é cara. Era o fim da picada. Tínhamos que desopilar.

Fomos parar ao Cais mas, depois de descer aquela rua, parecia que tinha saído de uma luta de Sumo. Já não tinha muito mais para dar e acabei por vir para a minha casa de bonecas.

A melhor parte foi quando um rapaz passou por mim e me disse que adorava o Divas em Apuros. Tozé, estás no meu coração.

Por isso já valeu a pena. 🙂

Amanhã há mais.

Love

D.

Diva Ensina: Prendas de Casamento.

Estamos a chegar à época dos casamentos e já anda tudo a contar trocos para não fazer má figura no “momento do envelope”. Já se sabe que a cerimónia custa caro e, por isso, há que compensar a união com umas massas, rezando para que a coisa dure pelo menos 5 anos. É o mínimo de retorno que uma pessoa pode ter deste investimento, não concordam?

Há noivos que colocam o NIB no convite para uma lua de mel porreira (faz sentido) e há quem o peça adiantado para as obras lá de casa, ou para as mamas novas da noiva.

Há também os falsos que juram a pés juntos que não querem carcanhol  dos amigos, já que a sua presença é o mais importante…Aldrabões. Deixarão de vos falar brevemente se não oferecerem nada.

Apesar de achar que a típica união matrimonial não é a minha cara, acredito no Amor e parece-me lindamente que o celebremos. Agora, não sou a favor do valor material que estas uniões acarretam e, tenho para mim, que é para lá de saloio pensar em ocasiões como estas para angariar fundos para a reforma.

É precisamente por isso que vos deixo algumas sugestões low cost para presentearem os recém-casados: 

– Faz um strip digno ao noivo. Quem não tem guito, paga com o corpinho. Além do mais, não é nada que ele já não tenha feito com desconhecidas. A causa é nobre.

– Boleia para as próximas 10 noitadas da noiva. Um condutor 100% Cool paga-se caro. Naturalmente que não serás tu. Arranja um cromo no Tinder para o efeito. Com as promessas certas, até à porta do Europa ficará à vossa espera.

– Oferece um cão do canil. É simpático, barato, vem vacinado e será sempre uma bela lembrança da tua pessoa. Se o casal vive num apartamento pequeno, ou se já têm dois gatos, devolves. A impressão que fica é fantástica.

– Leva ecstasy para os noivos tomarem no dia mais especial das suas vidas. Vão simplesmente amar-te. Depois disto, até podias levar um saquinho com cocó que serias sempre a pessoa mais relevante da festa. Acredita em mim.

– Cria uma cilada para que os pais, avós e tios abandonem o barco à 1h. Pode ser o atropelamento de um familiar, um ataque de asma induzido, qualquer coisa que abale psicologicamente os seniors da festa, fazendo-os partir. Ninguém dá tudo em cima da coluna à frente da bisavó…

– Curte com o padrinho seboso que está encalhado há mais de 5 anos. Não tem preço…

Sem gastar muito dinheiro fazes um brilharete, vês?

De nada.

Love,

D.

Diva se fosse ao Alta Definição.

Como sinto que estou a um passo de ficar famosa e que o meu talento está a começar a ser reconhecido internacionalmente, resolvi estudar o discurso que vou apresentar no dia em que for convidada para aquele programa dos olhos que dizem cenas, conhecem? É liderado por aquele senhor de olhar vazio, a quem, como diz uma amiga minha spé diva, “podemos espetar alfinetes que dificilmente mudará de expressão”. É uma pessoa aparentemente incrível, não é? Pois, ninguém percebe.

Tenho estado a pensar no que diria, quando estivesse naquela parte inicial do programa em que tenho que referir as coisas de que gosto e não gosto, sabem qual é? Está tão bem pensado, não acham? Criatividade ao mais alto nível.

É por este motivo que partilho o que idealizei dizer relativamente às coisas das quais NÃO GOSTO 

. Polícias. De todos os géneros e feitios. GNR, Trânsito… odeio todos.

. Gente que transpira muito. Se me tocam, grito.

. Pessoas que estão sempre a cravar cigarros na rua.

. Ciganos que vendem louro em vez de erva.

. Gajos que usam T-Shirts em V.

. Gente sem dentes. Especialmente sem os da frente, sendo que me oponho a qualquer tipo de falha visível de dentição.

. Da Anta do café do Chiado. Já nem a posso ver…

. De pessoas que publicam mais do que 3 posts por dia no mural do Facebook. Cansam-me e tenho tendência a bloqueá-las.

. Do casal de arrumadores do Saldanha que têm a voz do Smegal. Morro de medo deles.

. De gajos que dizem que fazem surf mas que só fazem bodyboard. E com a prancha do Continente.

. De não ter estores no quarto e acordar todos os dias às 7h30, a pensar que provavelmente morri e que estou a seguir a luz.

. De novelas da TVI. Não me vou dar ao trabalho de explicar.

. Do Main e do Urban. Tenho medo das pessoas que lá param.

. Do mundo ser 85% gay quando eu não gosto de gajas.

Acham que me sairia mal?

Os meus olhos dizem que não…

Love,

D.