Divas em apuros no Freedom Festival.

Foram precisos alguns dias para me conseguir sentar e escrever esta linda história que se segue. A história da estadia de duas divas no Freedom Festival, em Elvas.

Foi há precisamente uma semana que eu e a minha mais que tudo amiga  pegámos no “El Diablo” e seguimos rumo a mais uma experiência de liberdade, música e natureza. Supostamente…

Após uma belíssima viagem de 2h e picos, chegámos ao recinto de malas e bagagens para três dias de festa rija. A minha Diva best friend é quem agiliza sempre tudo o que precisamos para os dias de camping. É tão organizada e criativa esta querida… nem imaginam. Desta vez focou-se na decoração da nossa casa provisória, levando leds coloridos para enfeitar a tenda, um tapete giríssimo da Pradamark para a entrada e até uns colchões que davam 10-0 aos ortopédicos Pikolin. Falhou-lhe apenas o cadeado e a lanterna mas, quer dizer, “herrar é umano”.

Bom…

Assim que chegámos ao recinto comecei a sentir uma energia ligeiramente densa a invadir-me o corpo. As caras dos transeuntes do festival assemelhavam-se às trombas dos assíduos do Europa mas com mais cinco diretas em cima. No entanto, como Divas que somos, e visto que trabalhamos diariamente para não julgar o outro, demos uma oportunidade à multidão e pensámos: “Nós vamos fazer isto”.

Já com a tenda montada e de garrafa de vinho na mão, fomos jantar no meio do pessoal. Tivemos uma refeição bastante agradável. Vegetariana mas simpática. À hora da janta tudo parecia cool e tranquilo. Precisamente ao nosso lado, e enquanto degustávamos comida sem proteína, um rapaz dormia/meditava/relaxava de olhos fechados, um grupo de franceses fumava um charro quase do meu tamanho, um freak vestido de Aladino (versão ainda mais pobre) gritava pelo cão que fugia entre os poufs. Nada de novo, portanto.

Após a merenda, já  quentes e contentes, fomos para o dancefloor abanar a cachola em plena liberdade. Curiosamente, encontrámos um grupo muito engraçado que tinha vindo de autocaravana e com quem ficámos a conviver. A meio da noite ainda fomos conhecer a sua casa ambulante para encarnar os Aerosmith em tournée. Resultou.

As tendas do dancefloor, à noite, são sempre uma descoberta nestes festivais. Aquele ambiente dark, que efetivamente não é para todos, a mim diz-me qualquer coisa. As luzes, as cores, os desenhos malaicos, o facto de estarmos a dançar sem ninguém a olhar para o que trazemos vestido, ou apenas sentir aquele friozinho na cara enquanto ouvimos aquele som, é uma sensação muito própria deste mundo.

Estava a ser muito bom e libertador quando a minha Diva começou a travar amizades (para variar).  Uma delas acabou por se revelar extraordinária. Falo-vos do gerente do Intermarché de Elvas que resolveu  levar todo o staff da sua loja para o Freedom. Estilo team building psicodélico, estão a ver? Quando percebi, à minha volta tinha o chefe do talho a dançar que nem um louco, ao mesmo tempo que o chefe da manutenção de loja curtia como se tivesse nascido ao som de Goa Gil. Já o gerente, enquanto apontava orgulhosamente para os membros da sua equipa, contava-nos a história da sua ascensão no mundo do retalho, quase de lágrimas nos olhos. Foi simplesmente hilariante. Sugiro que a Jerónimo Martins e a Sonae façam o mesmo. Deixem de ser betos pah! Chega de festas de Natal de Main! Aprendam com quem sabe.

Depois de algumas horas de riso, mais umas vodkas e afins, estava na hora de regressar à tenda.

E é aqui que surge a grande questão da noite: Mas onde se enfiou a puta da tenda?

Pela minha cabeça passou-me o momento em que, horas antes, sugeri não colocarmos os leds coloridos a sinalizar o local, dada a ausência de cadeado e o ar suspeito da vizinhança. Nunca pensei que esta sugestão me fosse custar mais de duas horas em desespero. Tudo por um pedaço de tecido impermeável em forma de casa…

A meio da segunda hora de buscas intensas, e já completamente exauridas, a minha Diva perguntava-me se não achava melhor que nos separássemos. Estilo Survivor, estão a imaginar? Aquele momento em que um dos perdidos fica sem uma perna e tem que ser deixado para trás. Só que eu ainda tinha as duas pernas. Tinha também uma boca que estava em modo matraca desesperada e, por esse motivo, ela estava a ficar em brasa. Apesar de a compreender, muito remotamente, tive que a relembrar que estávamos sem bateria nos telemóveis e que, já agora, partilhávamos o atual  espaço físico com freaks alemães que pareciam o Hitler em hipervigilância, depois da guerra.

Já com os primeiros raios de sol à espreita, e juntas, finalmente avistámos a tenda. Parecia que tínhamos acabado de ver a mansão mais proeminente dos Hamptons. A minha querida amiga, assim que percebeu que o pesadelo chegara ao fim, agarrou-se à casota quase a chorar de emoção. Eu também, admito. E, com sentimento de missão cumprida, fomos descansar nos nossos belos colchões.

Acordei pouco tempo depois, estava a minha Diva sentada à “porta” da tenda, com um lenço de caxemira em torno dos seus cabelos loiros, género burca improvisada, óculos de sol e, acima de tudo, uma voz muito comprometedora que dizia:

– Diva, amiga, esta merda não é para nós. Estas pessoas…

Para lá do seu vulto digno e sofisticado que permitia uma brecha na “porta”, via os seres maléficos de quem falava a aproximarem-se de nós. Traziam tranças, rastas, terérés e tororós, tatuagens aleatórias e, mais grave do que tudo isto, um olhar conturbado e penetrante. Parecia que caminhavam sincronizados com o som das trevas que ainda bombava no dancefloor do demónio. Quando resolvi tirar a cabeça do interior da tenda, a fim de apanhar fresquinho, só vi carros, muito miseráveis por sinal, de portas abertas com trance aos berros, pessoas consumidas, e a consumir como se o mundo fosse acabar naquele preciso instante. Não vi ninguém a rir, a aproveitar a beleza da lagoa, a dar um abraço a um amigo ou até mesmo a curtir a moca, fosse ela qual fosse. Só vi olhares endiabrados, pessoas acabadas e em ânsias. Até os cães tinham mau ar ali. Parecia um casting para o Walking Dead. Só para os mortos, lá está.

Definitivamente não era o nosso registo, pensei também.

Ainda tentámos aproveitar o dia bonito que estava mas a atmosfera realmente não o permitia. Os “maus” como os apelidámos, eram realmente muito maus. Os bons estavam em minoria. Fomos vencidas.

Basicamente sentimos necessidade de fugir daquele lugar onde nem a paisagem natural conseguiu prevalecer. A fúria de sair era tanta que nem a desgraçada da Quechua conseguimos desmontar. Diz que é um processo muito simples e que uma pessoa apenas consegue meter aquela merda em 8 e sei la mais o quê… Pois. Pena que nós, naquela hora, somávamos apenas meia pessoa.  A tenda regressou a Lisboa aberta no banco de trás do carro, em total atrofio de forças.

Depois de termos abandonado o festival dos “maus”, fomos relaxar para um jardim que tinha uma esplanada chamada Éden (verídico). Ainda vimos um casal maléfico que tentou invadir o nosso descanso mas não permitimos que entrassem no nosso pequeno paraíso.

Já com fome e finalmente com vontade de viver, fomos até ao Intermarché. Até o parque de estacionamento deste supermercado nos pareceu cosy depois do Freedom. Sorte ou azar, o chefe da manutenção de loja, um dos nossos melhores amigos da noite anterior, encontrou-nos a tomar um café no seu local de trabalho. Feliz da vida, ficou convencido de que tínhamos ido à sua procura.

Permitimos que pensasse que sim.

Apesar de tudo ele era dos “bons”.

PS: No dia seguinte ao nosso regresso soubemos que os nossos amigos também não encontraram a caravana de manhã. Jamais iríamos encontrar a tenda…

Love

D.

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Diva Ensina: Leis da Preguiça na Cozinha.

Divas

Partilho convosco as leis da preguiça na cozinha:

Lei do Saco do Lixo:

Sempre que não temos paciência para procurar um saco do lixo em condições, dois dias depois estamos a entornar uma merda nojenta no chão e a precisar dele desesperadamente. A infelicidade será, neste momento de crise, lidar com o saquinho da farmácia que ficou a forrar um quarto do balde.

Lei do Tacho:

Se já sabes que não vais comer aquele restinho de arroz que sobrou do jantar, evita guardá-lo no frigorífico só para não teres que o lavar. Lembra-te: Ele regressa sempre. E semanas depois vem possuído pelo diabo do fungo verde. Que não venha a nós este tormento.

Lei do Jarro: 

Quando terminamos de beber aquele bocadinho de sumo fresquinho que sobra do jarro que está frigorífico, sentimos uma distância atroz do lava-loiça. É por isso que, muitas vezes, o bonito jarro regressa à base, vazio. Ocupa espaço mas fica muito simpático ao lado da maionese.

Lei da Roupa Estendida:

Não há nada mais libertador do que enfiar roupa para dentro da máquina de lavar. O problema é quando a fofa apita. Esta lei diz-nos que, se não te apetece estender roupa, então, por favor, usa uma bola anti stress antes de meteres merdas no tambor. Há poucas coisas piores que trapinhos a cheirar a mofo depois de uma semana de molho.

Lei da vigilância:

Sempre que vais de madrugada, e de cuecas, beber sumol da garrafa, ou leite do pacote, está um vizinho cusco a espreitar-te da janela. Os copos são fixes.

Lei do Cigarro no Fogão:

Por cada cigarro que acendes no bico do fogão, duas pestanas vão à vida. Não andamos a gastar dinheiro em rímel para isto. Sem olhos de gata fica difícil enfrentar o mundo.

Dignas, sempre.

Não precisam agradecer.

Love

D.

Diva Ensina: Eternas Discussões.

Ontem dei por mim a pensar naquelas eternas discussões que não nos levam a lado nenhum. A vida é muito valiosa para que estejamos sempre a desperdiçar tempo com conversas de merda, não vos parece?

Falo-vos daqueles diálogos que todos nós já tivemos pelo menos 20 vezes na vida e que, simplesmente, nunca nos proporcionaram conclusões decentes.

Vamos tentar fazer um esforço para não perpetuar a maionese na nossa breve história de vida?

Ora comprovem:

1- “Quem está mais cansado?”

Esta deve estar no top 3 das conversas menos frutíferas entre casais. Tudo começa com um pedido para aspirar a cozinha.

Premissa 1: Ora bem, ela trabalha o dia todo de pé e ele sentado. Score: 1-0

Premissa 2: Ele passa as 8 horas de expediente com os olhos em bico por causa do Excel, enquanto ela apanha couves. Score: 1-1

Premissa 3: Ele pesa 120 kgs mas ela continua a fazer-lhe francesinhas para o jantar. Score: 1-10

Premissa 4: Ela gasta-lhe o guito todo na Bimba y LolaScore: 10-10

Conclusão: Alguém que aspire a cozinha por favor.

2- “Quem é mais pobre?”

Pobre que é pobre adora provar que é, efetivamente, o mais miserável do universo.

Premissa 1: O Pobre A ganha 550€ e o Pobre B tem um mísero ordenado de 450€  Score: 0-0

Premissa 2: O Pobre A vive com a mãe, enquanto que o Pobre B respira às custas da namorada: Score: 0-0

Premissa 3: Ambos só se safam na PrimarkScore: 0-0

Conclusão: Pobre é pobre. Não vale a pena tentar perceber onde está o maior grau de miséria, ok? Percebido?

3- “Quem é mais inteligente?”

Discussão recorrente entre amigos. Muitas vezes pelas costas.

Premissa 1: O Inteligente A é licenciado e não tem emprego, o Inteligente B não é licenciado mas paga as suas contas com recurso a um trabalho de merda. Score: 0-1

Premissa 2: O Inteligente A é bom a matemática aplicada  enquanto que o Inteligente B é todo virado para as línguas. Score: 1-1

Premissa 3: Nenhum deles sabe o que é Anticonstitucionalissimamente. Score: 1-1

Conclusão: Venham os espertos que sabem onde os copos são mais baratos.

E rápido. Amanhã já é sexta-feira.

Love,

D.