Diva e os Pombos.

Quem me conhece sabe que tenho um problema grave com pombos. Quando era miúda não me faziam impressão mas agora, em adulta, nem vê-los. Aqueles ratos com asas, sempre à procura de quem os alimente, dão cabo da minha estabilidade emocional. Como Deus não dorme, e a vida está repleta de desafios, tinha que vir trabalhar para a Baixa de Lisboa onde estas criaturas dominam tudo o que é esplanadas, entram sem qualquer pudor nos cafés e, ainda, perseguem insistentemente os turistas, já conscientes que de os vão convencer a deixar metade do pastel de nata na mesa.

No outro dia resolvi ir almoçar a uma esplanada, aparentemente simpática, que acabou por se revelar o pior dos infernos. Os pombos maléficos, gerentes do espaço, eram mais que as mães. Pareciam gárgulas escondidas, e doentes, que surgiam de tudo quanto era canto. Há muito tempo que não era invadida por tanto medo. Senti-me mais ameaçada naquela singela padaria, do que num belo dia destes em que tive que sair na estação do Cacém, depois das 19h.

Ainda na esplanada do terror, um destes pequenos monstros de penas resolveu pousar em cima do guardanapeiro que se encontrava na mesa do lado.  Like a boss, os seus olhos penetravam os meus e as suas asas, que abanavam ligeiramente, davam sinal de ansiedade… a criatura mancava-me como se me quisesse matar. Eu, receosa, tentava comer a minha sopa, mas sem que a minha vista desgrudasse dela. O curioso é que, enquanto a mantinha debaixo de olho, com uma mão na empada e outra na colher, um outro ser desta espécie voava por detrás da minha cachola para mergulhar na minha sopa.

Parece mentira mas não é. O cabrão do pombo apanhou-me distraída e mergulhou MESMO as suas patas na minha juliana de legumes.  Só tive tempo de me afastar e, claro,  dar um grito avassalador que obrigou os turistas a engolirem as migalhinhas que já preparavam para oferecer ao gang pombalino. Voltei a pedir outra sopa, porque canja não é bem a minha onda, e lá almocei cheia de azia.

Devem pensar que esta história é banal mas desenganem-se. Eu acho mesmo que estou a ser perseguida.

Ora, continuem comigo…

Não bastava ter tido um gajo destes dentro da sopa a semana passada, ontem, à porta do meu trabalho, vejo um senhor de braço esticado para o céu com um queque na mão.

Não percebi logo o objetivo da pessoa em questão. Assim de repente, só me pareceu mais um alucinado. Como aqui na zona quem não é ligeiramente autista deve pagar multa, não liguei e segui o meu caminho. Eis que, de repente, vejo toda uma multidão de pombos a voarem na minha direção, e na do queque intacto que estava nas alturas, assim como reparo no sorriso do tantã a rasgar de emoção.

Então não é que o anormal foi mesmo comprar (atenção, ele foi COMPRAR) um belo de um queque de noz para dar à bicharada?! E pior, tinha que o fazer quando estava eu a passar? A sério?!

Claro que eu desatei aos berros estilo Tippi Hedren no filme Os Pássaros de Hitchcock, e dei uma de louca a correr e a lançar os braços a tudo o que me tentava atingir.

Já o velhote, nascido no planeta dos deficientes natos certamente, assustou-se com a minha reação e ainda teve a lata de me perguntar:

_ Menina, está tudo bem? Estava só aqui a dar um bolinho aos bichinhos…

_ Bolinho?! Bichinhos?! E se fosse apanhar na peida, pá?

Dito isto, entrei no prédio e fechei-lhe a porta na cara.

Mas o que será que a vida me está a tentar dizer que está tão difícil de entender…?

Love
D.

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