Diva vai ao Jamaica.

Na sexta-feira passada dei por mim, mais uma vez, neste espaço mítico da noite lisboeta. Não é propriamente o meu local de eleição mas acaba por ser inevitável.

Quando acordo, já lá estou aos encontrões, aos murros e a tentar desviar-me de homens sem pudor que vestem a personagem de caçadores mortíferos, para tentar levar uma possível “jamaicana” para casa. Pessoa essa que mal conseguem identificar, tendo em conta a multidão que se encontra naqueles 40m2 de suor, calor tropical, luzes e mescla musical que baralha os sentidos a qualquer um. Mas eles insistem, sem nada a perder, sem nada a temer. Ah valentes..!

A odisseia começa logo à entrada. Porteiro com ar latino, na casa dos quarenta, mas tão cansados da noite que parecem cinquenta, olha para a fila como quem está a vender vistos gold ao desbarato. A população que anseia entrar, geralmente formada por 90% de público masculino e umas garinas com os copos que, como eu, vão lá parar, tenta evidenciar-se para conseguir entrar na câmara de gás.

Os solteiros (se não são, fazem-se passar por… ) assim que veem gajedo tentam colar-se para adquirir o passaporte para o sonho caribenho. A mim, como sou uma pessoa de sorte, calham-me sempre na rifa. Desta vez eram espanhóis, italianos ou brasileiros. Não percebi exatamente a sua origem pois o tempo de espera na fila acabou por anular a tequila que bebi no Roterdão e eu já não estava para grandes conversas. Mas também não foi necessário, uma amiga tratou de tudo. Quando realizei o momento, já estávamos a pares, estilo casamento de Santo António, porém com desconhecidos. Às vezes são os que mais duram, diz-me sempre a minha mãe. Contudo, assim que entrámos, fugimos de imediato da Torre de Babel. Já não era fácil conseguirmos um buraquinho para dançarmos as três, quanto mais um onde coubessem seis.

Já despidas de casacos e afins, era hora de dançar aquele Bob Marley que, de repente, se mistura com Nirvana. É estranho ver a transição que se faz na pista quando passamos do legalize para o moche. Apesar de alinhar,  sinto-me sempre um bocado corrompida. E assumo-me como eclética mas, quer dizer, tanto? Enfim…

Na cabine estava o DJ que, pobre coitado, deve sofrer de insónias crónicas por não saber que músicas vai passar no dia seguinte, dado o constante desafio que se impõe. Com aquele ar de falso animado, e a ouvir pela milionésima vez o Creep dos Radiohead, fazia-se acompanhar por Aldo Lima. Já este, parecia o Tinder em pessoa. Encarava de forma sedutora o público da pista enquanto que, com o olho do lado direito fazia Like e com o esquerdo, Nope. Com tanta determinação espero, sinceramente, que se tenha safado. Era merecido. 

No meio das danças levadas por encontrões, piropos com problemas gravíssimos de dicção e misturas de som esquizofrénicas, também surgiam isqueiros ao longe, bem ao género do Lucky Luck, sempre que alguma de nós sacava de um cigarro. Pessoas como eu, que passam a vida sem lume, às vezes precisam andar kms para encontrar um ser humano cívico que não faça aquela cara de quem diz: E um pulmão fresquinho, não? Pois ali no Jamaica não, minhas amigas. Ali ouso dizer que, se por acaso a bexiga apertar e não houver tempo para ir ao WC, alguém certamente se disponibilizará para ser a vossa arrastadeira. Vai é tentar arrastar-vos depois para uma cama redonda mas isso é lá convosco.

No meio de todo este caos acabei por deixar cair o meu iCoise pelo qual tinha uma ligação emocional de valor. Por isso, todo este texto descritivo se deve ao facto de eu querer muito dizer ao mundo: Odeio o Jamaica.

Ps: Aldo, se leres isto, não fiques chateado tá? Sou do bem.

Love,

D.

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