Diva está louca com o Aldi.

Ontem fui jantar a casa da minha querida amiga Diva Loira, alma gémea de todo o sempre, companheira das aventuras mais inusitadas. Depois de um dia de limpezas intensivas no meu lar, e porque já não dava para virar costas ao caos instalado, recebo o seu convite para um manjar a duas. Enquanto eu fiquei encarregue do vinho, ela disse que tratava do jantar. Esta Diva é daquelas que, ao contrário de mim, não tem qualquer pudor em sujar metade da cozinha para chegar ao soufllé perfeito. Até as tostinhas com brie  são recambiadas para o forno em tabuleiros que levam 30 minutos a lavar. Ela não se deixa inibir nem por tempos de espera, nem por loiça suja a potes. No que toca a culinária, fá-lo bem e por gosto. Amo.

Já me tinha apercebido, até porque é na sua casa que passo metade do meu tempo, que ela ultimamente andava muito étnico-mística nas suas escolhas de mercearia. Também tem andado focada em não comer carne e eu já lhe disse que isso vai acontecer até à manhã, depois de uma noitada, em que eu decidir lambusar-me com um hambúrguer à sua frente. Mas ela está firme. A ver…

Em modo cozinheira, começou a falar na sua nova descoberta. Trata-se de algo que já me tentara dizer mas ao qual eu não dei a devida importância. O Aldi. Um género de LIDL mas aparentemente mais aliciante.

Já há uns tempos, durante um fim de semana destes, perguntei-lhe onde tinha ido à tarde, visto que ela é sempre cheia de programas culturais. Na altura respondeu-me em modo feliz: “Fui ao Aldi”. Fiquei até um pouco assustada ao suspeitar que, também esta minha amiga, agora me viria com conversas sobre supermercados, tampas de tupperware e afins. Mas não. Ela descobriu realmente o paraíso do engorda e, o que é certo, é que até faz sentido que este se sobreponha a uma tarde de sol no Torel, a fingir que se lê. Mentira, isso ou eu, ela lê mesmo.

Mas bom…

Esta querida diz que tem ido do Campo Mártires até à Alta de Lisboa só para poder usufruir de uma ida às compras em bom. Diz ela que, para lá chegar, tem que por o GPS, e ainda passar por barracas assustadoras que existem naquela zona. Vai de carro trancado, assim a medo, mas lá segue o seu caminho. Ela é muito obstinada. É mulher para saltar muralhas, se preciso, por um objetivo como este. Está tão vidrada nesta meca do retalho alimentar que, inclusivamente, limpa o seu frigorífico com mais frequência para receber todos os produtos que ali compra e que a fascinam. Atenção, foi a palavra que ontem utilizou para descrever esta superfície. É “fascinante” – disse. Parecia que estava a falar do pai dos seus filhos, mas não. Era mesmo do Aldi.

E que produtos são estes, perguntam vocês?

Ora bem. Falamos de várias espécies de queijo. Queijos com nozes, cremosos, consistentes, com e sem ervas. De um pão de abóbora de ir ao céu e voltar, de uma espécie de pão escuro que vem em forma circular, amoroso, semi doce, semi salgado que cai bem com tudo e que aparentemente não engorda. De umas passas revestidas por chocolate que me fizeram pedir os desejos dos últimos 5 anos, visto que uvas velhas nunca foi muito a minha onda. De umas bolachas bio, de sementes de sésamo, que tanto ficam bem com Nutella como com creme de beringela. Também demos de bocas com um chocolate de laranja e nozes, com um packaging digno do MOMA. Comecei a surtar de deslumbre com o cabaz que ela me ia apresentando, como se me estivesse a tentar colocar na pirâmide da Herbalife.

Às tantas, percebemos que passámos uma eternidade a degustar produtos do Aldi como se estivéssemos no restaurante do Avillez. Se bem que este jantar também foi de luxo, visto que esta Diva deixa lá fortunas entre o queijo creme e o patê de cogumelos.

O que comecei a achar estranho, até mesmo sobrenatural, é que os produtos combinavam entre si, mesmo os doces com os salgados. Parecia que o Universo tinha parado para nos dizer que não há sal nem açúcar. Existe Aldi, topam?

Às 2h da manhã, depois de tanto morfar à medida que íamos dando fim ao belo tinto que ficou da minha responsabilidade, o Maria Ana, já não conseguíamos falar. Era uma sensação de má disposição que se unia a um feeling de barriga cheia. Aquele que nos transmite sempre tanta felicidade… Pelo menos comigo é assim. Devo ter sido um etíope na vida passada e, portanto, sempre que estou a abarrotar sinto-me sempre mais feliz.

Foi realmente muito bom e fiquei fã.

Também fiquei com mais 3kgs, de certeza.

Mas foi por uma boa causa.

Forever Aldi.

Love,

D.

 

Diva e o Ser Espiritual

É verdade que o misticismo e a espiritualidade estão cada vez mais na moda. Bem sei que não é suposto colocar estes termos no caderno das tendências para 2016 mas é a mais pura das verdades. Qualquer dia, quem não meditar ou fizer yoga, passa a descontar o dobro para a segurança social. Ainda vai demorar um pouco, é certo.

O ser espiritual, ou espiritualizado como dirão as mães de santo, é supostamente mais iluminado, aberto, flexível, transigente… Com recurso à meditação, yoga, retiros de silêncio, técnicas de equilíbrio do campo eletromagnético, entre outros, trabalha de forma rigorosa as arestas da sua personalidade de forma a viver em plenitude, feliz consigo e, claro, com os outros.

Vamos tentar conhecê-lo melhor?

Acompanhem-me por favor.

Sobre o Desapego:

Passam a vida a falar nesta merda e, cá para mim, isto é um apego lixado. É um apego ao desapego, topam? E o que é o desapego? É dar aquela última belga de chocolate ao sobrinho? É deixar o namorado fazer uma viagem ao Rio de Janeiro com 10 amigos machos durante um mês? É oferecer o nosso cão com 16 anos a uma criança que se sente sozinha? Alguém que me ajude a perceber do que se trata e com brevidade. Agradecida.

Sobre os Retiros de Silêncio:

Todas as pessoas que conheço que frequentam estes retiros falam que se desunham. Só pode ser porque não resultam. E depois, pagar para ficar calado? Ainda se fosse pagar para que alguém se calasse… Percebia e já teria gasto uns trocos valentes. A mim só me calam quando estiver na cova.

Sobre a Meditação:

Dizem que nos torna pessoas melhores, mais centradas no nosso propósito de vida.  Medito diariamente deitada na cama quase 8 horas por dia e ainda não vi a luz. Só pode ser coisa de génio porque saio do processo todos os dias com um péssimo humor, despenteada e a querer incendiar  o Mundo.

Sobre olhar para desconhecidos e desejar o bem: 

Os seres espirituais acreditam que devemos olhar para os desconhecidos que passam por nós na rua e, em silêncio, desejar-lhes o bem. Acreditam que isto nos traz bom karma. Nem gosto muito de falar sobre este tema. Surgem-me logo todos os insultos que dirijo aos desconhecidos por quem passo todas as manhãs, precisamente depois de terminar o processo que refiro no ponto anterior.

Sobre o Osho:

Espiritual que se preze é fã do Osho. Segue o piqueno barbudo no Facebook, de quando em vez coloca frases dele na imagem de capa, compra os seus livros quando estão em promoção na FNAC, e daí em diante. Eu também gosto deste safado, por acaso. Diz coisas muito acertadas como esta: “Ficar louco de vez em quando é necessidade básica para permanecer são.”

É a minha cara.

 

Boa semana Divas.

Love,

D.

Diva não vai permitir em 2016…

Minhas queridas, chegou um novo ano e com ele virão aqueles 365 dias repletos de novas experiências. Estou preparada para abraçá-las mas não estou, de forma alguma, com vontade que se repitam algumas das coisas que me assombraram em 2015.

O que não vou permitir em 2016:

. Quem me digam: “Tens que ultrapassar os teus medos” ou “Desafia-te”. Essa decisão é minha. Adeus.

. Ir jantar novamente ao restaurante da melhor açorda de camarão de sempre, e a 10 €, depois do infortúnio que tive de levar com  duas baratas em cima.  As queridas estavam a passear no teto. Uma caiu ao lado da minha mão, a outra, em cima do meu mindinho. Não vou nunca mais a esta tasca do Demo. Nem depois de 5 sangrias nos Canários.

. Que me peçam, por favor, para ouvir as músicas do Justin Bieber porque ele está diferente e tem clips do caraças. Quase que cedi mas depois percebi que a minha dignidade estava em risco.

. Que publiquem merdas no meu mural sem permissão. Não vou mais deixar que coloquem a minha cara no meio de focinhos de gatos bebés, no interior de molduras cobertas de rosas, ou com a testa paralela a uma frase do Cifras. Manquem-se.

. Que me peçam para coordenar a minha foto de perfil no Facebook, e afins, com a meteorologia real. Se fico bem de biquini no Verão, fico ainda mais interessante desnuda no Inverno. Larguem-me da mão.

. Que me digam que este é o ano do não fumador estilo dica para deixar de fumar. Mas existe algum ano do fumador? Bem me parecia…

. Que me incentivem a ir a festas de passagem de ano onde tenho que pagar 25 euros para não beber para não mijar, porque a fila para o WC está pior que a segurança social da Amadora às 11h.

. Que visualizem as minhas mensagens e não respondam. Vou passar a bloquear na hora. Amigos próximos vão primeiro.

. Que, ao ser atendida num café, me respondam merdas como “Queria, ou quer?” “Copo de água ou com água?”. Qualquer uma destas respostas vai dar direito a guardanapo com ranho largado no balcão.

. Que me expliquem, mais uma vez, o quão importante é tirar a carta de condução. E que depois dos 30 as nossas capacidades cognitivas baixam e os testes se tornam mais complexos. Enough!

. Que me liguem antes das 10h. Não vou explicar porquê.

. Que me digam que vai chover a semana toda, quando até é verdade, sabendo que eu prefiro que me mintam. Custa menos… não percebem isso?!

Bom 2016 divas do meu ❤

Love,

D.