Diva no Amoreiras.

Raramente vou a um centro comercial. Prefiro o comércio de rua e não tenho paciência para andar a fintar carrinhos de bebés que andam a 50km/hora e pessoas camufladas com sacos da Primark até à testa. Prefiro o meu querido Chiado, e também a Baixa, para ver como andam as modas.

Acontece que agora, encontrando-me a trabalhar ao lado do Taj Mahal do Taveira, torna-se praticamente impossível não dar um saltinho ao Amoreiras de vez em quando. E de todos estes sanguessugas que nos levam a carteira, sempre o tive como sendo tranquilo e bem frequentado. Simplesmente nunca pensei que esta obra comercial, das mais antigas catedrais do consumismo em Lisboa, fosse tão concorrida à hora de almoço. Ingénua, bem sei.

Para quem já tem fome às 11h, pareceu-me que 13h era uma boa hora para forrar o estômago. Errado, minhas queridas. A celestial uma da tarde, o timing tido como o mais adequado para a segunda refeição do dia, recria naquele espaço o Apocalypse Now. Mas sem napalm. Infelizmente.

Perante a confusão iminente pensei,  vou comer algo rápido para ter tempo de  ir à minha querida Zara depois. Como tal, dirigi-me de forma confiante à zona da restauração onde em todos os espaços, sem exceção, se formavam filas maiores que as da Expo ´98.

Executivos novos, velhos e “assim-assim” babavam de fome perante tudo o que vendia carne com batatas fritas, precisamente o que me apetecia, enquanto que as betas da Vieira de Almeida e arredores, berravam umas com as outras nas filas para tudo o que vendia alface com merdas. Incrivelmente percebi que o local mais desempoeirado da região era o famoso Mac. Os pobres ali têm pouca saída e a betalhada não gosta de ser vista a comprar nuggets a 1€. Já com a missão “conseguir comida” bem sucedida, só me faltava encontrar um lugar simpático para morfar o meu Big Tasty.

Casaco à cintura, mala ao ombro e tabuleiro em punho, lá fui eu procurar um cantinho. Como já não devia meter um pé no Amoreiras há mais de 1 ano, parecia uma saloia à procura de mesa. Diz que meteram uns espelhos novos e, com tonalidades entre o bege e o camel (para agradar aos visitantes que, além destas cores, só usam preto em ocasiões especiais) eu dei por mim baralhada, a tentar descodificar o que era espaço físico do seu próprio reflexo. A minha cabeça, com fome e meia zonza, só recebia sinais de gravatas, malas da Bimba y Lola e madeixas mal amanhadas.

Já cheia de calor a enfrentar uma possível quebra de tensão, absolutamente desorientada nesta espécie de labirinto executivo durante uma eternidade, percebi a dificuldade atroz que é encontrar a cadeira vazia neste jogo. Os queridos e as queridas, também à procura de um recanto, entoavam gargalhadas sobre a festa do Jezebel mesmo atrás da minha pessoa, enquanto batiam suavemente com os seus tabuleiros nas minhas costas. Com a testa a transpirar, percebi que a minha visão atravessava um cenário cada vez mais turvo, as minhas pernas, passo a passo, ganhavam mais 30 kgs e, quando um rasgo de lucidez recaiu finalmente sobre o meu corpo a fim de me travar daquele loop, tinha um pé praticamente submerso num lago interior spé decorativo. Parece mentira mas é verdade. Estive a 2 cm de molhar a pata ou, quem sabe, de tentar andar sobre a água, tal era o LSD que aquele caos despertava nas minhas veias. “Acordei” com 4 pinguins estupefactos a olhar para mim, como quem olha para o maluquinho que lança malabares quando o semáforo está vermelho. Ou encarnado, perdão.

Como tudo na vida tem um propósito, depois deste momento de insanidade levado a cabo pela multidão, e também pelo cheiro libertado pela comida de todos os franchisings do mundo, consegui um lugarzinho ao sol. Ou melhor, ao lado de uma senhora de idádi que, curiosamente, se lambia com um sundae de caramelo. Respirei fundo, pousei a tralha e mais descansada realizei que chegara o momento de comer. Feliz da vida abri a caixinha de Pandora da Fast Food e lá dentro ainda reluzia um maravilhoso manjar XL. Pena que assim que resolvi iniciar a prova, realizei que não é preciso muito tempo para que as fofas das hamburguesas do Sr.Ray Kroc entrem em decomposição, ficando mais rijas que as amêndoas do Algarve.

Deprimida com a minha refeição digna de um verme sem noção, ainda pensei gastar 5 paus para conhecer o miradouro mais recente da cidade. Mas nem isso. Diz que fecha à hora de almoço já que os turistas também comem à mesma hora que nós e os tugas conhecem bem a vista.

Depois disto, nem tempo tive de ir ao WC quanto mais para ir ver trapos.

Uma pena.

Love,
D.

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