Diva vai ao Pop Cereal Café.

Não sei se as minhas queridas Divas estão a par mas há um spot no Bairro Alto, o Pop Cereal Café, onde a especialidade são cereais com tudo e com todos. Sim, cereais, daqueles que se juntam ao leite sempre que não há paciência para encostar a barriga ao fogão. Tão típicos do pequeno-almoço, ainda que para mim este conceito se adapte a qualquer hora do dia dado que janto torradas com frequência, estes singelos pedaços de açúcar, disfarçados de flocos, fazem um verdadeiro brilharete por estes lados.

Domingo, ligeiramente de ressaca, pareceu um bom dia para conhecer este lugar deveras americanizado e, de Zomato instalado para a review que se seguiria, demos o corpo ao manifesto. Não seria eu a autora da review, naturalmente, pois tenho mais que fazer do que criticar restaurantes num site que não me traz quaisquer views.

Mas continuando…

Ao entrar no referido espaço, cuja afluência imaginava ser uma cambada de erasmus que nem camping gaz tem em casa, o que estranhamente não se verificou, senti logo o Pop que lhe dá o nome. Posters, tendencialmente Andy Warhol mas comprados na Arte Periférica, na melhor das hipóteses, cobrem as paredes dando-lhes vida e cor. Sim, é muito para isto que serve a Pop Artou estarei equivocada? Mesas às bolinhas, umas altas, outras baixas, assim como um beliche para os mais ousados, convidam-nos a relaxar e a enfardar como se, de repente, acordássemos com 8 anos no sofá dos nossos pais, a contar os minutos para os Ursinhos Carinhosos. (Oh… que nostalgia me deu agora, não eram adoráveis estes sacaninhas?)

Algum merchandising à venda, muito american type of art, que felizmente eliminou as sardinhas que já ninguém aguenta, também compoe a decoração da coisa. Ao fundo, encontramos um balcão e uma estante repleta de caixas de cereais que bate a léguas o corredor do Continente do Colombo destacado para o produto. Amantes de comida juvenil, ou apenas solteiros desesperados por qualquer coisa que alimente, vão gostar disto. Não está mal decorado, resultou num bar simpático com um cheirinho a High School.

Assim que entrei, vi dois rapazes atrás do bar. Um na frontline da receção ao cliente, e outro a dar tudo num escadote dançante focado em alcançar, muito possivelmente, os Corn Flakes sem glúten que se encontravam nas alturas. Uma espécie de performance que me impressionou e que conceptualmente caracterizei entre o Cirque do Soleil e o Disney Club.

Contudo, os meus olhos não conseguiam desfocar do mestre de cerimónias. Rapaz magro e moreno com uma argola no septo, cantarolava uma espécie de Bonga alternativo, deveras adequado à temática da casa, como se eu já não estivesse baralhada o suficiente por ter sido intrujada a ir comer cereais à rua.

Mas adiante…

Enquanto preparava os seus fantásticos cocktails de Estrelitas com Clusters, como quem elabora um fantástico Long Island Iced Teasorria para nós de forma acolhedora e muito amigável. Percebendo que estávamos com dificuldade em selecionar o que pedir, muito rapidamente nos indicou que escolhêssemos as sugestões da ementa, logo depois de nos ter saudado com um entusiasta “Bom dia Pessoal” ou algo semelhante ao que o Poupas diria aos seus amiguinhos, não me recordo bem. Sei que acabou por nos falar sobre este novo conceito de restauração tal como Sá Pessoa explicaria uma obra de foie gras a uma criança e nos alertou que o melhor seria ficarmos pelas miscelâneas pré-concebidas da ementa. Basicamente disse-nos, subtilmente, para não inventarmos muito se não o mais certo era sairmos de lá com uma diarreia. Correto.

Eu, decidida e emancipada, escolhi o King Coco (Drives me) Nut (reparem no trocadilho do copy, não é para todos) e o meu acompanhante, mais guloso e atrevido, ficou-se pelo o Heaven is made of Chocolate. Uma bomba de chocolate, apreciada unicamente pela minoria que ainda consome Tulicreme.

Já famintos e curiosos, restava aguardar pelas taças mágicas que o mais conceituado Barcereal de Portugal (apesar de acreditar que seja o único especialista na área em território nacional) confecionava, enquanto dançava alegremente uma morna daquelas que só passam na Rádio Oxigénio.

E eis que pouco tempo depois, as ditas chegaram à nossa mesa. Bonitas, a transbordar de ingredientes malaicos, as nossas refeições de 3.90€ foram bem recebidas e dignas de um 4 no Zomato, com direito a atendimento de excelência. De estômago semi cheio e diabetes a explodir, abandonámos o local dizendo um educado “Obrigada” que foi respondido, mais uma vez, com um carismático “Adeus Malta”. Sim, já não ouvia a palavra “malta” há algum tempo.

Pena que assim que saímos do Bueréré percebemos que o que nos apetecia mesmo, mas mesmo, era um pastel de bacalhau e um croquete. 

Cenas da vida.

Love,

D.

Foto: Público, Fugas.

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Diva cinéfila. Ou não.

Apesar de ter uns quantos amigos que são verdadeiros cinéfilos, eu não sou muito dada à teoria do Cinema. Gosto de uns filmes e não gosto de outros. Basicamente é isto.

Contudo, tenho tido alguns convites para entrar no mundo do cinema de autor, através de encontros que as pessoas do meio organizam, para assistir a películas de culto restauradas que já passaram no Canal Hollywood vezes sem conta. Não julgo, porém, acho que 7 euros por um bilhete para ver um filme que andou a rodar os canais todos é quase o mesmo que apanhar um taxi quando não estamos atrasados para o trabalho, e nem sequer está a chover. Mas adiante. 

No Cinepop vi o Trainspotting, que adoro e, mais recentemente, o ET. Sim, qualquer dia estou a rezar para que o Sozinho em Casa seja a escolha do Monumental para o dia de Natal. Curiosamente, e apesar de ter adormecido durante breves minutos durante este sucesso de bilheteiras, algo que não me fez sentir muito mal dado que a pessoa com quem estava também resolveu fazer uma soneca singela no escurinho, posso dizer que foi muito gratificante. Para já, não me lembrava do momento em que o raio de extraterreste apanha uma bezana e encarna um mitra do Europa, depois, já não via a Drew Barrymore num filme decente há mais de duas décadas. Compensou.

Do Kusturica, também a cargo da missão “Vamos lá ser eruditos da sétima arte” vi o documentário do Maradona e o Via Láctea que conta com a participação da belíssima Mónica Bellucci. Posso dizer que, por muito drogado que o Maradona tenha sido, com esta longa metragem o Sérvio conseguiu dar-lhe vinte a zero. Suspeito que  tenha aviado pelo menos uma folha de ácidos de olhos fechados. Parabéns Mónica por ser quem és mas, amiga, ou começas a cuidar da tua carreira ou vais viver em Portugal para sempre. Não queres isso, acredita. 

Para terminar, ao Nimas fui ver uma obra de Polanski,  The Fearless Vampire Killers e gostei bastante. Apreciei o sentido de humor, a prestação do querido pedófilo enquanto ator, e, finalmente achei interessante o enquadramento que o Filipe Melo fez do filme.

Ah, e falando de enquadramentos, sabem que nestes círculos há sempre uma pequena contextualização feita pelo cinéfilo-mor da sala?  Estou a ficar tão habituada a uma introdução antes do filme que quando for ver o Saw XX em 5D vou pedir ao homem da bilheteira para dizer umas palavrinhas antes da coisa começar.

Acho que é o mínimo.

Love,

D.