Diva avalia Corredores

Esta é a altura do ano em que vemos tudo o que é gorducho a correr ao relento, para chegar ao mês de agosto com menos meio quilo no bucho. É uma meta como outra qualquer, cada um tem a sua, e eu tenho muita consideração por pessoas que traçam objetivos na vida. #semjulgamentos.

Contudo, ao ver-me rodeada por amantes desta modalidade, decidi pensar um pouco mais profundamente sobre estilos, e formas, de exercitar o corpo a toda a velocidade.

Segue, portanto, a minha avaliação:

. O Corredor que se prepara para o Fim do Mundo.

E vai com a tralha toda atrás para uma corrida que todos sabemos que não vai durar mais do que 20 minutos. Ele leva mochila, ele vai de água colada à perna, telemóvel pregado ao pulso, headphones na cabeça e ainda, se estiver muito calor, uma toalha húmida à cintura para refrescar. Este indivíduo carrega tanta merda às costas que mais valia ir de Tuc-Tuc, e ir abanando os braços, para exercitar qualquer coisa. Coragem!

. O Corredor que pensa que vai para o Ironman. (a prova mais difícil de todos os tempos)

Esta é a espécie de corredor com atitude feroz e invencível, que faz crer ao Universo que corre há anos e com mestria. Na verdade, faz esta coisa de mexer o corpo todo, ao mesmo tempo, uma vez de 2 em 2 meses. Como a frequência de exercício é pouca, a pica naturalmente é extrema. Por esse motivo, anda pela cidade armado em atleta de triathlon sempre que se lembra de encarnar o desportista. Ele sobe e desce escadas, salta muros, anda de gatas pelos viadutos e, de cara raivosa, atravessa estradas sem parar no semáforo vermelho. Vida bimensal ao limite.

. O Corredor Hipster 

Todos nós sabemos que a Nike e a Adidas, por exemplo, um dia pensaram que seria interessante criar uns ténis que fossem capazes de suportar o corpinho enquanto este está em esforço, a praticar desporto. Questões como controlo de impacto, suporte à postura e até mesmo conforto, devem ter sido alguns requisitos para a criação dos ténis de corrida. Digo eu. Pois bem, que interessa isto para um hipster, meus amores? N-A-D-A. Hipster que se valha, corre com Vans, Superga, Sanjo. Grande bem-haja para vós meus queridos e um grande welcome hérnias!

O Corredor Sofrido

É o tal que ainda agora saiu de casa e já está a transpirar do buço. Depois de 5 minutos a correr, já se nota na cara do pobre coitado que preferia beber 1 litro detergente, a terminar a missão a que se propôs. Persistente, a pensar no meio quilo que deve perder, continua rumo ao pódio, mas sem Norte. Anda por aí aos S´s contra tudo e todos. Se por acaso o encontramos, com aquele ar desorientado, perto de uma estação de autocarros, somos gajos para mandar parar o 746, acreditando que é essa a sua vontade. Mas desenganem-se. Ele não corre para a Carris, ele corre pela Carris, por nós, pelo Mundo. Por quem o ajudar a acabar com todo aquele sofrimento.

. O Corredor Gazela

Bom, chegámos ao único cromo que de facto corre decentemente. E nota-se bem. Expressão relaxada, braços firmes, bela passada, temos corredor profissional de street. Não perde tempo com merdices, nem mesmo para matar a sede, e veste roupa e calçado apropriado para o efeito. Questão relevante: anda por aí a pavonear-se pelo meio da cidade, entre zonas urbanas, claramente de passeio, só para meter inveja a quem ainda não meteu o cú no ginásio este ano. Informo a esta gente presunçosa que a Cidade Universitária está muito bonita, o Campo Grande cada vez mais fresco e o Estádio Nacional, um luxo! Dá para desopilarem?

. O Corredor de Praia

Não corre o ano inteiro, só come toucinho mas quando chega à praia, em vez de dar uns mergulhos, apanhar sol e relaxar, vai correr à beira-mar. Só porque sim. Cenas.

E com isto, espero ver-vos todos correr para a fantástica e maravilhosa festa LGBT do Divas em Apuros no Fontória, já amanhã, sábado, dia 24!! ❤

Love,

D.

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Diva dá dicas sobre Web Summit.

Para todas as pessoas que não conseguiram estar presentes na conferência do ano em Lisboa, sim essa mesmo, a mais tecnológica, incrivelmente à frente, com pessoas mega inovadoras e esses grandes  CEO´s de havaianas que todos amamos (ou nem por isso) aqui ficam as minhas dicas para aproveitarem ao máximo  a próxima edição da Web Summit:

É bom que tenhas uma Startup para dares nas vistas. Se, pelo contrário, trabalhares no departamento de arquivos da Controlinvest, sugiro que vires o badge ao contrário pois ninguém te vai dizer “olá”. Neste espaço de geeks tendência, não há lugar para pessoas banais meus amores.

Levar um iPhone 4 com ecrã partido (my case) não é permitido, é para lá de mal visto e coloca-te no espectro das pessoas non gratas do evento. Senti na pele a exclusão quando coloquei o meu querido a carregar num corner algures e todos me olharam como se tivesse um penso higiénico colado na testa. Por outro lado, como não consegui sacar a app do evento, precisamente por ter um smartphone de primeira geração, tive que recorrer ao programa impresso. Como devem imaginar, fui absolutamente fulminada sempre que precisei de folhear as páginas do programa em PAPEL. Essa coisa que, para esta gente, já nem para limpar o cú serve.

Fazer o possível para estar atento às conferências pois o conteúdo é realmente interessante. Pena é que a maior parte das pessoas insiste em entrar a meio da apresentação, cortando a visibilidade  e a atenção dos outros. Senti-me obrigada a esticar a perna várias vezes para que os bifes se esbardalhassem nos corredores centrais. Gosto de receber bem no meu país, e até sou uma pessoa sensível, mas não abusem. Obrigada.

Tentar furar as filas que a estrangeirada cria por tudo e por nada. Ninguém lhes disse que na Tuga não somos fãs de coisas muito organizadas e que é tudo à balda. Talvez seja por isso que os cromos, assim que estão perto de uma entrada, começam logo a organizar prioridades e a colocarem-se uns atrás dos outros. Fiquei com a sensação que os nórdicos já nascem em fila indiana.  Como diz uma amiga minha, “Eu em filas? Nem à Expo 98 fui para não levar com elas…” De facto, era só o que me faltava.

Levar uma cadeirinha da Quechua porque nos palcos secundários raramente temos lugares sentados disponíveis. A mim, já não me apanham noutra. De pé não contem comigo para ver absolutamente nada. Só acidentes no meio da estrada, ou pancadaria na rua, aquelas coisas que despertam tanta curiosidade como adrenalina. Agora Conferências? Por favor, tenham dó.

Ir de Tinder ligado e a bombar.  O público é estiloso, aparentemente inteligente, cool, sem preconceitos e, mais importante que tudo isto, com viagem de regresso marcada para depois não aborrecerem as pessoas com visitas guiadas à Graça. Tinder Lovers, este é o vosso target. Go! 

Ir numa de beber uns copos. Vi pessoal a  beber mojitos às 11h, o que não julgo e até considero bastante digno. Também percebi que 80% das pessoas do público estavam de ressaca, o que também apoio. Sou sempre solidária com estas causas.

Apesar de ter estado a trabalhar.

Séria, always.

Love.

D.

Diva e Detalhes na Cozinha.

Existem momentos determinantes na nossa vida. Alturas em que percebemos que, afinal, dentro de um ovo está uma gema nunca antes vista. Há detalhes na cozinha que, se dermos conta, podem ajudar-nos muito a sermos felizes na divisão mais cansativa da casa. Sem grandes tachos e panelas, é possível fazer milagres.

Este foi um ano de descobertas realmente profundas no que diz respeito à culinária.

Ei-las:

Couscous

Com azeite, água e estes pequenos grãos, que na roda alimentar estão entre o arroz e a massa, em 3 minutos temos marmita para trabalho. Curiosamente, acompanham muito bem com nuggets de frango. Outros que, em apenas 6 minutos no microondas, estão igualmente pret a manger. E para aqueles que dizem “ai eu não uso esse objeto do demónio por causa das emissões de radiação” – Falamos quando apanharem cancro no pulmão sem nunca terem fumado um único cigarro. A vida é sádica meus amigos. Desenganem-se.

 

Tostas Mistas com Maionese e Dijon.

Foi um dia bonito aquele em que descobri que uma tosta mista com maionese e mostarda Dijon se transforma no melhor Croque Monsieur de Paris. É incrível como estes simplórios molhos numa tostadeira, e com muito queijo, se revelam um manjar dos Deuses. Cai muito bem ao jantar, sabe ainda melhor durante uma ressaca.

E tudo isto com apenas 1500 calorias… Quem diria…?!

Quem não aprecia Dijon deve continuar a comer Panrico com marmelada. Seus maricas.

 

Salsa verdadeira em tudo e todos

Há uns tempos, enquanto cozinhava em casa de um amigo, perguntei-lhe se tinha salsa. Respondeu-me: “Claro! Uso sempre ervas” e encaminhou-me para a prateleira dos frascos (e não dos frescos). Dei por mim a confundir salsa com oregãos. Intrigada, aceitei. Dei-lhe a dica que, às vezes, as coisas frescas fazem alguma diferença.  Não me adiantei muito visto que não sou julgadora e como couscous com nuggets. Porém a salsa foi uma descoberta. Dá aquele ar natura aos pratos… Faz de uma miserável massa com atum uma verdadeira pasta di tonno fresco!

 

Delícias do Mar

Desde pequena que ouço falar mal das pobres coitadas. Dizem que são a escumalha do mar e que são feitas com os restos de toda a merda que se apanha no oceano e arredores. Basicamente são vistas como uma espécie de salsichas marítimas nada “nobres”. Não fosse eu amiga dos desfavorecidos, voto a favor delas. São maravilhosas frescas, assim quase congeladas, banhadas em maionese ou colocadas entre duas fatias de pão escuro e um ovo cozido. São práticas, singelas e sabem a sapateira.

 

Só sugestões saudáveis.

Quem? Ágata Roquete?

Não conheço.

 

Love,

D.

Diva e as Gajas Fixes.

 

Muito recentemente, em conversas profundas com divas próximas, companheiras da vida, tocou-se num tema deveras curioso, o qual elas me pediram encarecidamente para abordar no Divas em Apuros. Eventualmente para depois partilharem o meu texto em modo indireta no Facebook, como se não fosse nada com elas. Espertalhonas.

Como me revi algures no assunto, resolvi aceitar.

O tema que se coloca consiste em perceber o seguinte: 

O que os Homens querem das Gajas Fixes?

E para tentar desvendar tamanho enigma, o que é uma Gaja Fixe?!

Ora bem. Parece simples e um pouco redutor, mas não é minhas amigas. Quando um homem considera uma mulher além de gira, fixe, muito cuidado. Os machos contemporâneos não gostam das fixes. Preferem as giras e boas. De preferência não muito chatas. Que mandem poucas mensagens, não façam telefonemas bêbadas, especialmente em dias em que eles estão efetivamente a dormir.

Atenção, separemos as águas. Quando digo “gaja fixe” não é objetivamente um ogre porreiro, e quando falo em “gaja boa”, não me refiro à miss universo da burrice. Vocês entendem-me. Se não o fizerem, obrigada pela view mas podem abandonar o barco.

Nesta tertúlia feminina, particularmente interessante, chegámos às seguintes conclusões: 

 

. A gaja fixe bebe cerveja, às vezes não consegue conter um arroto por mais que tente e vai ao WC vinte vezes numa noite, o que corta a moca a qualquer um. A boa, bebe Malibu. Diz que aquela merda  prende a bexiga e provoca um bolsar sensual. A ananás. 

. A gaja fixe diz merda com uma ligeira inclinação cómica, nem sempre bem sucedida, convenhamos. A boa diz pouca coisa e sempre com um tom erótico. Ou seja, se a fixe diz “cocó”, a boa diz “fezes”. Enquanto a fixe, sem grande pudor, profere “estou aflita para mijar” a boa diz “onde está o quarto de banho?”. Classe minhas queridas. Aprendamos com elas, por favor. Mijar é um verbo horroroso. Alô!

. A gaja fixe normalmente, e por muito que tente, não consegue ser sensual o dia todo. Aparece de quando em vez com batom nos dentes, com uma nódoa de soja na camisola em dia de gala, e ainda faz questão de a mostrar antes que a notem. A boa, como habitualmente não come, também não se suja. E como fala pouco, até pode não ter um dente da frente que passará despercebida.

. A gaja fixe treina com a t-shirt da Trifene 200, a boa investe em kits gym tendência e dá um toque no blush para não aparecer na aula Zumba com brilhos na testa.

. A gaja fixe para manter o seu título só tem que ser naturalmente fixe. A boa nem por isso. Deus não dá olhos, rabo e mamas assim ao desbarato. Há merdas que se compram. E que valem a pena. E que custam dinheiro.

No fundo, por muito que as fixolas até sejam verdadeiras brasas, fica sempre a dúvida no ar… Mas será esta gaja fixe demais para dar umas curvas?

Concluindo…

O que os homens querem das gajas fixes?

Nada, se virem umas boas mamas.

Tudo, se quiserem pagar cervejas em vez de Malibu.

Sempre fica mais barato.

Love,
D.

Diva e o Happn.

Se me seguem saberão, certamente, que amo fazer investigações sobre este novo mundo. O mundo das aplicações de encontros.

Acho maravilhoso podermos assistir a este fenómeno in loco para que um dia, eventualmente, possamos dizer aos nossos netos que conhecemos o avô através de um superlike. O que é certo é que antigamente havia gente que se correspondia por carta, agora quase não precisamos falar se soubermos utilizar os belos dos emojis.

Hoje, como já devem ter percebido, vamos falar sobre o Happn.

Esta app funciona através de geolocalização, fazendo com que tenhamos acesso ao perfil dos desgraçados que passam pelos mesmos sítios que nós.  Apesar de, claramente, incentivar  ao stalking, esta ferramenta tem um claim super inspirador:

“Encontra quem se cruzou contigo” – dizem eles.

A mim pareceu-me uma proposta razoável tendo em conta que todas sonhamos encontrar o amor à primeira vista. E se tal acontecer no Metro, no café da esquina, ou na zona de congelados do Pingo Doce, bastará apenas procurar o felizardo no catálogo que a app dispõe e fazer um “gosto”. Se ele também gostar da nossa pessoa, pimbas, gera-se um crush. Depois é esperar que o animal mande a primeira mensagem.

Meninas, nós não mandamos a primeira mensagem, atenção, mais dignidade, ok?

Deixo-vos alguns dados para melhor refletirem sobre as vantagens e desvantagens desta ferramenta:

Enviar “Charmes”

Se quisermos ser “cara podre” e não esperar que a pessoa passe por sorte pelo nosso perfil, podemos enviar-lhe um “charme”. No fundo trata-se de uma espécie de alerta que o contemplado recebe, dizendo Diva enviou-te um Charme, como quem grita “Estou aqui, otário, estou aqui!!”.

A mim parece-me demais enviar uma coisa destas mas… confio no vosso bom senso.

Também vim a perceber que os homens gastam créditos quando enviam este SOS às meninas, enquanto que nós, mulheres, temos direito a “charmar” sem limites. É um género de Ladies Night com charmes à balda. O problema prende-se com o facto dos “modelos” que figuram no catálogo serem dignos de um filme de terror de série C. Mas acreditar é viver fofas. ❤

Os Vizinhos 

Aqui está uma das questões que nem sequer nos ocorre quando instalamos um monstro destes no nosso smartphone. Os vizinhos, por estarem sempre no nosso raio de ação, estão sempre presentes na “oferta” e, consequentemente, também em constante visionamento da nossa fronha na montra feminina de perfis. Bater no fundo é receber um “charme” do Sr indiano que trabalha na loja de conveniência da nossa rua. De facto, já tinha achado estranho vender-me bebidas alcoólicas depois da meia noite sempre de sorriso nos lábios. Há males que vêm por bem, lá está.

Atenção à Idade

Como existe a possibilidade de filtrarmos o público consoante a faixa etária que queremos atingir, é importante dar um desconto de pelo menos 5 anos aos meninos depois dos 30. Tenho visto carinhas larocas dignas dos 45 anos a dizerem que têm 30 para não serem excluídos. Já não basta às vezes parecerem altos quando na verdade são anões, ainda nos aparecem com mais 10 anos. Atenção girls, muita cautela.

O encontro

Eu tenho para mim que o primeiro encontro deve ser marcado sempre num sítio público. Fnac do Colombo pode ser uma boa. Primark, também não é má ideia. Qualquer local é adequado desde que tenha multidões e nos possamos esconder para ver o “bicho” de longe, antes de nos darmos à morte. Se não for do vosso agrado, fujam. Ninguém leva a mal. Este pessoal das aplicações passa a vida a fazer esta merda.

Salve-se quem puder. ❤

Boa sorte.

Love,

D.

 

Diva está louca com o Aldi.

Ontem fui jantar a casa da minha querida amiga Diva Loira, alma gémea de todo o sempre, companheira das aventuras mais inusitadas. Depois de um dia de limpezas intensivas no meu lar, e porque já não dava para virar costas ao caos instalado, recebo o seu convite para um manjar a duas. Enquanto eu fiquei encarregue do vinho, ela disse que tratava do jantar. Esta Diva é daquelas que, ao contrário de mim, não tem qualquer pudor em sujar metade da cozinha para chegar ao soufllé perfeito. Até as tostinhas com brie  são recambiadas para o forno em tabuleiros que levam 30 minutos a lavar. Ela não se deixa inibir nem por tempos de espera, nem por loiça suja a potes. No que toca a culinária, fá-lo bem e por gosto. Amo.

Já me tinha apercebido, até porque é na sua casa que passo metade do meu tempo, que ela ultimamente andava muito étnico-mística nas suas escolhas de mercearia. Também tem andado focada em não comer carne e eu já lhe disse que isso vai acontecer até à manhã, depois de uma noitada, em que eu decidir lambusar-me com um hambúrguer à sua frente. Mas ela está firme. A ver…

Em modo cozinheira, começou a falar na sua nova descoberta. Trata-se de algo que já me tentara dizer mas ao qual eu não dei a devida importância. O Aldi. Um género de LIDL mas aparentemente mais aliciante.

Já há uns tempos, durante um fim de semana destes, perguntei-lhe onde tinha ido à tarde, visto que ela é sempre cheia de programas culturais. Na altura respondeu-me em modo feliz: “Fui ao Aldi”. Fiquei até um pouco assustada ao suspeitar que, também esta minha amiga, agora me viria com conversas sobre supermercados, tampas de tupperware e afins. Mas não. Ela descobriu realmente o paraíso do engorda e, o que é certo, é que até faz sentido que este se sobreponha a uma tarde de sol no Torel, a fingir que se lê. Mentira, isso ou eu, ela lê mesmo.

Mas bom…

Esta querida diz que tem ido do Campo Mártires até à Alta de Lisboa só para poder usufruir de uma ida às compras em bom. Diz ela que, para lá chegar, tem que por o GPS, e ainda passar por barracas assustadoras que existem naquela zona. Vai de carro trancado, assim a medo, mas lá segue o seu caminho. Ela é muito obstinada. É mulher para saltar muralhas, se preciso, por um objetivo como este. Está tão vidrada nesta meca do retalho alimentar que, inclusivamente, limpa o seu frigorífico com mais frequência para receber todos os produtos que ali compra e que a fascinam. Atenção, foi a palavra que ontem utilizou para descrever esta superfície. É “fascinante” – disse. Parecia que estava a falar do pai dos seus filhos, mas não. Era mesmo do Aldi.

E que produtos são estes, perguntam vocês?

Ora bem. Falamos de várias espécies de queijo. Queijos com nozes, cremosos, consistentes, com e sem ervas. De um pão de abóbora de ir ao céu e voltar, de uma espécie de pão escuro que vem em forma circular, amoroso, semi doce, semi salgado que cai bem com tudo e que aparentemente não engorda. De umas passas revestidas por chocolate que me fizeram pedir os desejos dos últimos 5 anos, visto que uvas velhas nunca foi muito a minha onda. De umas bolachas bio, de sementes de sésamo, que tanto ficam bem com Nutella como com creme de beringela. Também demos de bocas com um chocolate de laranja e nozes, com um packaging digno do MOMA. Comecei a surtar de deslumbre com o cabaz que ela me ia apresentando, como se me estivesse a tentar colocar na pirâmide da Herbalife.

Às tantas, percebemos que passámos uma eternidade a degustar produtos do Aldi como se estivéssemos no restaurante do Avillez. Se bem que este jantar também foi de luxo, visto que esta Diva deixa lá fortunas entre o queijo creme e o patê de cogumelos.

O que comecei a achar estranho, até mesmo sobrenatural, é que os produtos combinavam entre si, mesmo os doces com os salgados. Parecia que o Universo tinha parado para nos dizer que não há sal nem açúcar. Existe Aldi, topam?

Às 2h da manhã, depois de tanto morfar à medida que íamos dando fim ao belo tinto que ficou da minha responsabilidade, o Maria Ana, já não conseguíamos falar. Era uma sensação de má disposição que se unia a um feeling de barriga cheia. Aquele que nos transmite sempre tanta felicidade… Pelo menos comigo é assim. Devo ter sido um etíope na vida passada e, portanto, sempre que estou a abarrotar sinto-me sempre mais feliz.

Foi realmente muito bom e fiquei fã.

Também fiquei com mais 3kgs, de certeza.

Mas foi por uma boa causa.

Forever Aldi.

Love,

D.

 

Diva e o Ser Espiritual

É verdade que o misticismo e a espiritualidade estão cada vez mais na moda. Bem sei que não é suposto colocar estes termos no caderno das tendências para 2016 mas é a mais pura das verdades. Qualquer dia, quem não meditar ou fizer yoga, passa a descontar o dobro para a segurança social. Ainda vai demorar um pouco, é certo.

O ser espiritual, ou espiritualizado como dirão as mães de santo, é supostamente mais iluminado, aberto, flexível, transigente… Com recurso à meditação, yoga, retiros de silêncio, técnicas de equilíbrio do campo eletromagnético, entre outros, trabalha de forma rigorosa as arestas da sua personalidade de forma a viver em plenitude, feliz consigo e, claro, com os outros.

Vamos tentar conhecê-lo melhor?

Acompanhem-me por favor.

Sobre o Desapego:

Passam a vida a falar nesta merda e, cá para mim, isto é um apego lixado. É um apego ao desapego, topam? E o que é o desapego? É dar aquela última belga de chocolate ao sobrinho? É deixar o namorado fazer uma viagem ao Rio de Janeiro com 10 amigos machos durante um mês? É oferecer o nosso cão com 16 anos a uma criança que se sente sozinha? Alguém que me ajude a perceber do que se trata e com brevidade. Agradecida.

Sobre os Retiros de Silêncio:

Todas as pessoas que conheço que frequentam estes retiros falam que se desunham. Só pode ser porque não resultam. E depois, pagar para ficar calado? Ainda se fosse pagar para que alguém se calasse… Percebia e já teria gasto uns trocos valentes. A mim só me calam quando estiver na cova.

Sobre a Meditação:

Dizem que nos torna pessoas melhores, mais centradas no nosso propósito de vida.  Medito diariamente deitada na cama quase 8 horas por dia e ainda não vi a luz. Só pode ser coisa de génio porque saio do processo todos os dias com um péssimo humor, despenteada e a querer incendiar  o Mundo.

Sobre olhar para desconhecidos e desejar o bem: 

Os seres espirituais acreditam que devemos olhar para os desconhecidos que passam por nós na rua e, em silêncio, desejar-lhes o bem. Acreditam que isto nos traz bom karma. Nem gosto muito de falar sobre este tema. Surgem-me logo todos os insultos que dirijo aos desconhecidos por quem passo todas as manhãs, precisamente depois de terminar o processo que refiro no ponto anterior.

Sobre o Osho:

Espiritual que se preze é fã do Osho. Segue o piqueno barbudo no Facebook, de quando em vez coloca frases dele na imagem de capa, compra os seus livros quando estão em promoção na FNAC, e daí em diante. Eu também gosto deste safado, por acaso. Diz coisas muito acertadas como esta: “Ficar louco de vez em quando é necessidade básica para permanecer são.”

É a minha cara.

 

Boa semana Divas.

Love,

D.