O Roterdão faz anos Domingo.

Este Domingo dia 18, o meu querido Roterdão faz 1 ano que se reergueu, mais bonito e simpático. É por isso que queria deixar aqui razões de sobra para passarem por lá:

. É o único sítio no Cais do Sodré onde ainda têm a consideração de disponibilizar amendoins, pipocas ou batatas fritas no balcão. Eu tenho os meus mínimos e sim, preciso de um salgadinho para empurrar com a Imperial. Obrigada por perceberem isso.

. O bar mantém muita coisa originária dos anos 80, como os bancos à marinheiro repletos de histórias malandras e a fachada tão mítica da Rua Cor de Rosa. Já na pista, contamos com um espelho gigante que nos permite fazer coreografias absolutamente sincronizadas. Já lá orientei umas danças em grupo melhores que muitas aulas de Zumba. Depois de uns copos, também é sempre bom termos acessível o nosso reflexo para sabermos se o suor ainda nos mantém decentes, de cabelinho composto e sem o eyeliner na testa. Acontece-me algumas vezes e, como tal, já não papo mais do que 1h sem verificação facial.

. No Roterdão encho a barriga com os meus hits favoritos. Ao contrário da maior parte dos bares das redondezas, ali 80´s não significa Bryan Adams e Samatha Fox. Vamos mais longe e com mais classe. Acreditem em mim, cheguei a invadir a cabine do Oslo para ver, com os meus próprios olhos, o que habitava naqueles arquivos. O melhor que lá encontrei foi o primeiro álbum das Spice Girls. Não tive outra opção se não pedir o 2 become 1. Triste mas verídico.

. O porteiro é uma espécie de Richard Gere mas careca. Também ligeiramente mais baixo. Vá, talvez não seja assim muito parecido. Mas tem os olhos dele. Nos dias que correm já não é mau. Tenham paciência.

. Mesmo quando está cheio, temos espaço de sobra para respirar. São dois pisos à nossa disposição onde passam sonoridades entre o rock, pop, funk e soul. Ao contrário do Jamaica onde cheguei a aterrar no colo de um senhor que estava de cadeira de rodas. Como não se cansavam de me empurrar, queimar, seduzir e maltratar, não tive solução se não cair no colo do único gajo que, pelo menos, estava sentado. Menos mal.

. A querida Ana, gerente, sempre que lá vou oferece-me uma Tequila Gold. Até já sabe que gosto de acompanhar com laranja mas que dispenso a canela.

É só por isso que escrevo este texto…

Vá, não é nada.

Eu vou lá estar a “dar tudo” porque é um dos meus spots favoritos.

Bora.

Love,

D

Diva troca LIS-BON pelo Ouriço.

No fim de semana passado recebi um convite para o LIS-BON – Jardim Sonoro, festival de música de dança que acontece no Parque Eduardo Sétimo.

É um evento engraçado que se prolonga durante a tarde e que normalmente se esgota com os “Fusers”, “Bloopers” e “Brunchers” deste país. Neste caldeirão eletrónico juntam-se também alguns cromos da publicidade e magníficas figuras públicas, daquelas a quem eu às vezes digo “olá” por achar que as conheço do “café”.

O Jardim Sonoro está entre as festas favoritas dos ravers contemporâneos, esses seres mágicos, urbanos, mestres dos filtros Instagram, detentores dos fantásticos óculos de Sol da Moov Shop, com vidas sociais ativas, incrivelmente sedutoras e bem sucedidas. 

Estarei iludida? Creio que não.

O que é certo é que troquei tudo isto (e reparem que não foi pouco) por uma noite na Ericeira. Esta é que é a verdade.

Mas passo a explicar.

Tratava-se do aniversário de uma amiga, nativa da região com o micro-clima mais peculiar da estremadura, que resolveu fazer uma festinha regada com vinho verde, comidas saborosas e uma piscina onde as ressacas se curam com banhos de glamour. Uma festa que começou à tarde e que continuou pela noite dentro, não estivessem os convidados mortinhos por um pezinho de dança.

A Ericeira tem graça. Os bares são sui generis, com pinta e passam sonoridades entre o hip-hop e os 80´s. As ruas do centro noturno enchem-se de turistas, gente da terra e alguma miudagem. A maior parte são surfistas, essa raça geralmente bem-apessoada e bronzeada cujo género literário favorito é o Wind Guru, o filme de culto está na seleção do Beachcam  e o lema de vida, o profundo slogan “Destrói as Ondas não as Praias”. Quase me afogo com tamanha profundidade.

Já com o roteiro dos bares feito, algumas capirinhas e capiroskas no bucho, fomos direitos ao ex libris da Ericeira:

O Ouriço. 

A discoteca mais antiga da Península Ibérica.

Com 55 anos de existência, este espaço conta com um pé direito inferior ao da minha casa e com uma ventilação digna de uma ventoinha de bolso.

Assim que entrámos neste Club, (adoro este termo, acho super New York) um calor insuportável, misturado com cacimba humana, levava o nosso organismo ligeiramente alcoolizado para perto de um coma profundo. Sobre a música, era tão boa que preferia ouvir a estação de rádio de Oliveira de Azeméis até à eternidade. Porém, como o espaço é mítico e o grupo estava divertido, resolvi dar uma oportunidade e muito rapidamente já dançava e cantava emocionada, fingindo que sabia os lyrics. Estranha forma de integração esta de palrar músicas que mal conhecemos, não é? Atire a primeira pedra quem nunca o fez.

A dada altura, não indiferente ao cansaço, já revirava os olhos dando sinais de que estava a entrar nas últimas. Um amigo, daqueles para quem a noite ainda agora começara, percebeu o meu estado de derrota e, por considerar que podia ser um elemento dissuasor contra a festa, resolveu gritar na minha direção:

– “DIVA, TENS QUE TER PACIÊNCIA!”  

ou seja:

“Aguenta-te pois vais ter que papar mais 10 espanholadas, 5 hits do top Orbital, 3 cromos a pedirem-te cigarros em troca de perdigotos e… sabe Deus.”

Apesar de cansada, acabei por me converter ao espírito do grupo e dirigi-me ao WC para ganhar forças e regressar à Pista de Verano. 

Mal integro a fila das meninas aflitas, percebo que estou ao lado de uma Diva, a quem o Sol já queimou algumas camadas valentes da pele, claramente com os copos mas com uma atitude digna de vedeta da TV 7 Dias. Aparentemente cliente da casa, trazia uma espécie de rabo de cavalo de lado, um vestido curto preto e umas pratas que lhe envolviam o pescoço. Com as suas costas exercia pressão para fechar a porta do WC, não permitindo que a confusão se gerasse ali dentro, ao mesmo tempo que alçava uma perna sobre o lavatório, com a naturalidade de quem pousa um cotovelo na mesa durante a sobremesa.

Instintivamente percebi que estava perante a Rainha da Ericeira.

Em 3 tempos meteu conversa comigo e tentou apurar o que fazia da vida. Antes de lhe responder, fui atropelada por uma amiga que, com ar confiante e determinado, lhe disse na minha vez:

– Ela tem um BLOG! – Confesso que me deixou lisonjeada.

Senti-me obrigada a dizer que essa não era exatamente a minha profissão e, sem lhe dar grande atenção, fui colaborando com o seu inquérito das 5h da manhã. Apesar de ter apreciado o nome do meu ninho virtual, assumiu que nunca tinha lido nada meu, nem tinha ouvido falar em tal coisa.

Enquanto ela continuava a falar na minha direção, eu só tinha olhos para aquela perna alçada. Estava a deixar-me desconfortável e, portanto, pouco receptiva a esta amizade com a Nobreza do Oeste.

Não contente com a minha postura, aparentemente indiferente, começou a jogar alto para captar a atenção daquela que suspeitava ser a blogger do ano:

Rainha da Ericeira: Sabes que o sítio onde trabalho representa 4 blogs…? É uma empresa daquelas pequenas, que ninguém conhece…  Está no retalho e na distribuição… Só tem 36 lojas e representa 11 marcas, imagina… – e foi a primeira vez que a ironia me soou pior que uma cena de product placement da TVI.

Diva: Ah isso é ótimo. Mas de quê? – disse eu ao mesmo tempo que a minha amiga, defensora do meu talento e vocação, continuava a responder por mim:

Amiga defensora da Diva: “Ahh ela é muito independente!” – Como quem diz, “Ela não precisa dessas coisas…” (Eu? Nunca. Aliás, não tenho mãos a medir com os patrocínios que me chegam).

Rainha da Ericeira: É uma empresa pequena, com marcas desconhecidas…  De certeza que não conheces.- E assim continuava a Rainha da Ericeira, num loop irónico e tonto, sempre de perna alçada e cara de whiskey.

Diva: Pois sim, claro. Mas marcas de quê…?! – Respondia eu já sem paciência mas com alguma curiosidade.

Rainha da Ericeira: Essa é que é essa, não é…? – Oh Deus. Não tinha bebido o suficiente para isto, pensei. Ela estava mesmo picada. Provavelmente pensou que me estava a armar em Pipoca Salgada quando eu só queria fazer xixi.

A muito custo, e não querendo revelar o segredo desta querida, só vos posso dizer que acabou por afirmar que trabalha naquela marca de luxo do surf com um nome começado por “Ericeira”. Depois da revelação do misterioso graal, continuou a perseguir-me com tanta agressividade que tive que abandonar o barco para não levar uma pranchada. Não ando à porrada desde o 5º ano, senti que podia correr mal.

Despedi-me dela cordialmente e voltei para a pista onde estavam os meus amigos, ainda em êxtase, como se tivessem sido pagos pela CM da Ericeira para animar a malta.

Ainda pairava na minha cabeça o momento surreal pelo qual tinha passado. Teria eu acabado de desperdiçar o patrocínio da minha vida?

Logo eu, uma surfista em ascensão e fã incondicional dos trapos da Semente e da Billabong

Love,

D.

Diva vai ao Avante.

“Há festas e depois há a Festa do Avante”. Foi o que me disseram antes de ter decidido que iria pela primeira vez à reunião anual dos camaradas.

Tudo começa quando chegamos à Amora e percebemos que o Cacém nem é assim tão feio. Um calor insuportável (e entenda-se que cheguei pelas 19h e picos) acompanhava as famílias que, tal como eu, se dirigiam para a entrada. Na “bagagem” percebia-se que traziam garrafas de vinho, cadeiras, arcas e crianças em êxtase por poderem participar na festa dos crescidos.

No lugar dos betolas com ar de surfistas, que habitualmente validam os bilhetes nos festivais da moda, estavam homens com bigodes capazes de albergar gente, peles queimadas do Sol digno da Lagoa de Albufeira e barrigas inchadas da água-pé. Anfitriões de uma elegância absolutamente incontornável.

Assim que passei pelo detetor de esquerdistas, mas nem 10 segundos depois, fui atacada por um exército de melgas, de tamanho praticamente invisível, que em três tempos se alimentaram ferozmente de mim.

Já agora, um muito obrigada por me terem avisado que aquela merda é mais agressiva que o Comporta Café depois das 18h. Quando dei por ela, ainda nem uma jola tinha bebido e já me estava a coçar que nem um carocho. Portanto, situação nada “fenistilástica”.

Mas adiante.

Não fazia ideia do que a festa tinha para oferecer e até me surpreendi com os vários stands das regiões presentes, com iguarias da nossa gastronomia, desde os doces aos salgados. Não indiferente ao aroma das espetadas, aterrei na Madeira onde trabalhavam umas senhoras com muito bom ar e que não se fizeram rogadas quanto à quantidade de manteiga a espetar no bolo do caco. Comi um pica-pau bem jeitoso e bebi uma poncha assim para o potente.

O objetivo no Avante é um pouco isto. Comer e beber.

Beber que nem uma besta, ceder às comezainas para não perder forças, continuar a beber que nem uma besta. Isso até é fixe. E não, não é tão redundante assim. Todos sabemos que, com os copos, não há dois minutos iguais.

Ali joga-se ao campeonato do tinto. Quem for de INEM para casa, perde. Quem andar na Roda Gigante sem vomitar, ganha. Sim, os comunas também têm uma espetacular Roda Gigante. Fuck you Rock in Rio, seu capitalista.

Na minha humilde opinião, a magia desta festa está muito ligada ao público eclético que possui. Bad Boys meio azeiteiros, portadores de braços bem torneados e caligrafados, passeiam cães de raça geneticamente alterada, enquanto meninas com pinta Chapitô, sentadas à chinês na relva, enrolam charros com mestria.

Gajos com barbas mal amanhadas e t-shirts que em tempos foram das traças, também se cruzam com mães fumadoras compulsivas que gritam com os filhos de ouvidos mocos que se esfumam na multidão. Os comunistas são realmente uns fofos, desde crianças que estão habituados a fugir.

Sobre a música, senti que o cartaz podia ser mais aliciante mas não  esperava outra coisa. Uma curiosidade, Sérgio Godinho e Jorge Palma foram convocados. Estranho, nunca pensei. Outra ainda, Xutos e Pontapés. Também nunca me tinha ocorrido. Quem diria? De ressalvar a triste notícia sobre Rita e o Revólver que queria muito ver mas acabei por não chegar a tempo. Ou seja, nem em lazer consigo cumprir horários. Incrível.

Também assisti a um recital de poesia no espaço Alentejo com algum potencial, não fosse a senhora estar a declamar com o mesmo tom com que se apresenta o mote para as Autárquicas. Apesar da determinação evidente da oradora, o seu público era constituído maioritariamente por senhoras didádi  que já não se aguentavam nas canetas, nem com os olhos abertos. Como tal, faziam “discretas” sestas ao luar, sentadinhas nas suas chaises longues de sisal. Cadeiras estas que já devem ser gajas para mais de 20 Avantes.

Pessoas abraçadas, e muito bêbadas, a cantar  “Avante, camarada, Avante (…)” também foram uma constante. Não fosse eu uma lamechas, até achei bonito e me emocionei (ou não). Sugiro que experimentem dar 2 litros de tinto a um gajo do CDS e lhe peçam para cantar Mafalda Veiga. Duvido que faça igual brilharete. Mas duvido mesmo.

Algo sobre o qual não podia deixar de falar, precisamente porque representa o auge da festa, é a bela da “Carvalhesa”. Quem já lá foi, sabe bem do que falo. É a descompensação total. Velhotes, jovens e crianças, quando ouvem o hino do seu partido, perdem as estribeiras e desatam a correr em direção ao palco para dar tudo numa dança frenético-moribunda. Bem sei que parece antagónico mas é o termo que se aplica. No fundo, enquanto as cabeças dos camaradas pensam que estão a celebrar a sinfonia vermelha com a elegância, e atitude revolucionária, do charmoso Che Gevara, os seus movimentos corporais só nos lembram Jerónimo de Sousa numa performance contemporânea regada com 5 bagaços.

Quando achamos que o período de libertação comunista (a própria da Carvalhesa) está a chegar ao fim, eis que do palco partem fogos de artifício imponentes que levam os camaradas à loucura generalizada.

Eu permaneci sentada e surpreendida a observar a multidão. Nunca tinha visto tal coisa. Sentia que estava a presenciar uma espécie de fenómeno sociológico com os dias contados. De repente fui transportada para um ritual ayahuasca organizado pelo Bloco de Esquerda. Estranhamente interessante.

Não posso ser aldrabona e dizer que não senti nada. Aquilo, de alguma forma, até mexeu comigo.

Se depois desta explosão de emoções me metessem uma mesa de voto à frente, era gaja para votar 3 vezes.

Avante Camarada, Avante.

Love.

D.

A Avó da Diva – Parte II

Maria Idolinda, de nome peculiar e tão adequado à sua singela fisionomia, não alcança um metro e cinquenta de altura, apesar de ser uma mulher extremamente “elevada” como refere habitualmente sobre si mesma, sem grandes modéstias. Tem 81 anos, um corpinho de 65 e uma cabeça de 30.

Mariazinha, como os conhecidos do bairro a tratam, diz-me coisas incríveis como “Se soubesse o que sei hoje, nunca me tinha casado com o primeiro” ou “Imaginas-me num lar de velhos a fazer desenhos com lápis de cera?” ou  ainda “Tu és linda mas esse cabelo não lembra a ninguém, não dá para esticares isso, filha?”

Respondo-lhe sempre (mas sempre) que de “peruca” alisada pareço um rato à chuva mas ela não compreende as minhas motivações e fica para lá de revoltada. No fundo, apesar de duros, eu valorizo bastante estes seus inputs. Demonstra que vê em mim um imenso potencial por explorar. Potencial este onde o cabelo toma uma importância absolutamente fulcral. Ela lá terá os seus motivos…

Por outro lado, também é mulher para me dizer, com olhar de quem finalmente acabou de compreender a teoria da relatividade:

“És de uma classe e de uma inteligência extrema, filha.”

Assim do nada. Tau!

Fico toda vaidosa e inchada.

Mas, egos alimentados por avós à parte, vamos ao que interessa.

No outro dia, estava eu num jantar de aniversário de um amigo, bebendo um vinho branco fresquinho e mordendo um porco agri-doce quando, de repente, percebo que tenho uma chamada sua não atendida por volta das 23h50.

Estranhei a hora tardia, naturalmente, e no imediato devolvi o telefonema mas sem sucesso.

Sei que, pelo menos até às 23h, Mariazinha relaxa no seu colchão que lhe custou uma fortuna, e por ali fica a ouvir o “Culto” que passa diariamente na sua estimada rádio evangélica. Estação complicada de permanecer na frequência certa visto que, à mais ligeira brisa que incentive a antena para a esquerda, já a fiel ouvinte se vê obrigada a girar o botão durante horas, em pânico, e a pensar que perdeu para sempre a “palavra de Deus” na espiral das ondas eletromagnéticas.

No momento em que, já jantados, todos se organizavam para um copo no Bairro Alto, eu fervia de preocupação a pensar no pior que podia ter acontecido à minha baixinha. Mas como é que ela me liga a uma hora destas e passados 10 minutos já não atende?!

“Sentiu-se mal, ligou-me em desespero e caiu para o lado” – disse alto.

Neste estado de ansiedade não havia nada que me pudesse divertir e, assim que vi um táxi, fui direitinha à sua casa. A minha querida Diva Loira resolveu acompanhar-me, não só porque me conhece e percebeu que estava realmente apoquentada, mas também porque é fã desta castiça.

Chegadas à porta de sua casa, incumbi o meu indicador nervoso de pressionar o botão do seu andar, como se estivesse a carregar pela minha vida. Mas nada. Acordei o prédio todo. Vizinhas da sua idade, incomodadas com o som ensurdecedor daquele toque digno de prédio com mais de 100 anos, vinham curiosas à janela. As minhas mãos já transpiravam e os meus olhos reviravam até que o meu inconsciente me lembrou:

 “Espera, ela deu uma chave ao vizinho que vive na cave…”

Depois de nos deixarem entrar no prédio, fui bater à porta do senhor, como se estivesse a encarnar um polícia de intervenção. Lá veio o vizinho, de boxers, tronco nú e cara de quem não gosta de ser acordado. Percebe-se. Primeiro não me queria dar a chave, coitado estava a dormir em pé e não percebia nada do que o rodeava. Mas depois, perante o meu nervosismo e inação, a minha Diva Loira lá lhe deu um berro e ele finalmente passou “o anel” para o nosso lado.

Já com as chaves a tilintar nas mãos, subi as escadas e finalmente bati com as pontas dos pés na porta da minha querida avó. Ainda toquei à campainha novamente mas mais uma vez… Nada.

Respirei fundo, fiz de mim invasora e, de mãos trémulas, entrei.

A minha companheira de sempre ficou para trás. Quis dar-me alguma privacidade num momento em que ela própria já temia o pior.

Após 5 lentos passos já estava no seu quarto. No escuro, via o seu corpo estendido na cama imóvel. Não ouvia a sua respiração e passei a sentir o frio digno do psicológico que interfere com a atmosfera.

A medo, finalmente sussurrei:

“Vó…Acorda…!”

N-A-D-A.

Aproximei-me dela, já apavorada com o que podia acontecer e gritei (confesso que já a chorar…)

“VÓ!!!” ACORDA, FODA-SE!!!”

Saiu-me em total desespero.

O que é certo é que, finalmente, a Diva Mor virou o seu tronco muito calmamente, olhou para mim de olhos sonolentos e disse:

– “Ai filha, és tu… ? Olha, ainda bem que apareceste. Precisava mesmo de falar contigo”.

E realmente precisava, coitada. Tinha uns sapatos novos incríveis para me mostrar e portanto até lhe deu jeito que lá passasse, imaginem.

Ainda achou um pouco ridícula a minha preocupação.

“As pessoas quando dormem profundamente não ouvem campainhas, filha…”

Enfim, ia morrendo de susto.

Love,

D.

 

Diva vai ao Boom Festival

Começando pelo início porque a história é longa, fazer a mala para o festival do meu coração é algo que parece muito simples. Mas não é. O campismo, o calor que nos espera, as formigas que habitam o local e que padecem de gigantismo, a dor de costas habitual que exige cuidados extra e claro, as ressacas contínuas que estão na previsão de uma vida na Boomland, obrigam-nos a fazer um cálculo acertado sobre os indispensáveis a levar.

Como tudo o que exige um nível de organização acima da média interfere com a minha paz interior,  a minha querida amiga Diva Loira, como é habitual, ficou encarregue de todos os pormenores ligados à gestão da nossa estadia. Esta fofa, em quem delegámos o papel de decoradora oficial do camping, andou dias e dias em pulgas com todos os detalhes de estética e bem estar. Até fez questão de criar um grupo no whatsup onde partilhou as suas referências de decoração, com padrões visuais entre o Nature e o Zen.

Conclusão: Fomos carregados como umas verdadeiras mulas, com tapetes para a entrada, leds que se fundiram na primeira noite em que os deixámos ligados, uma mesa fantástica com banquinhos onde comemos uma única vez, um campingaz caríssimo que aterrou em Idanha-a-Nova sem o bico, portanto sem utilização possível, e até uns copos de vinho incríveis verdes a fazer pandã com a mesa que nunca viram vinho, visto que no recinto já bebíamos o suficiente. Ah.. e mais curioso ainda, ninguém se lembrou que depois das 21h30 surge uma imensa escuridão no camping e que se calhar era simpático termos uma luz na tenda, ao contrário de uma lanterna mixuruca que tivemos que revezar entre os 3 como se de água no deserto se tratasse. Claro que a nossa Gracinha Viterbo psicadélica alegou que o tema da iluminação não era da sua responsabilidade e deu-nos um grande “alô” visto não termos tratado de nada. Coberta de razão esta Diva.

Ainda mais brilhante do que as três viagens ao carro com 50º à sombra, que foram necessárias para acartar objetos de decoração e afins para a tenda, foi a de nos termos posto a caminho de madrugada.

“Vamos de madrugada, para não apanharmos o calor da tarde e assim, quando chegarmos, aproveitamos o dia! “- Disse alguém coberto de genialidade e claramente não se lembrando que existem coisas super modernas tais como: Ar Condicionado.

“Claro que sim” – Respondemos todos já sob o efeito da droga mais perigosa do mundo: A adrenalina.

Não há nada mais esperto do que ir com uma direta de avanço para tolerar uma estadia digna de um survivor. Também é fantástico montar uma tenda às 9h30 e, no momento em que o sol se alimenta de queimar o próximo, ser forçada a “brincar ao Twister” durante 4 longas horas. A cabra da Quechua afinal exigia um mestrado em National Geographic quando eu, muitas vezes, nem fogo com fósforos consigo fazer. Aleijam-me as pontas dos dedos, o raio dos palitos.

Não fosse a Diva Loira, perante situações de stress, transformar-se numa pessoa iluminada e desenrascada, ainda hoje estava em Idanha a enfiar a 2ª estaca na vista. Felizmente conseguimos montar a coisa e, infelizmente, o monstro em jeito de casa, por obra do destino, já tinha prometido ficar ao sol durante toda a estadia e no terreno mais inclinado que algum topógrafo pode alcançar. Mas não há nada que não façamos por amor. Ali, até adormecer deitado e acordar sentado se revela prático.

Tenda montada, coisas arrumadas, siga. É incrível como se sente uma energia intocável quando se passeia pelo recinto. As cores das tendas, das instalações, a música, as pessoas, a “La Goa” (uma Lagoa que nos transporta para Goa) os pés sujos e descalços, os casais apaixonados que se passeiam semi nus a apreciar a paisagem… é uma atmosfera verdadeiramente de paz.

Foram dias de glória sobre os quais tomei as seguintes conclusões:

Passadeira Vermelha do Boom

No Boom encontramos todo o tipo de pessoas. Freaks, Chantis, Psicadélicos, Marados e até Betos, (infelizmente os cabrões descobrem tudo e andavam por lá como se estivessem no Prego da Peixaria…) fazem parte da panóplia de malta que por lá se encontra. Pessoas normais são difíceis de detetar visto que muitas delas fazem questão de se “mascarar” para melhor se integrarem no espírito do festival. Vi de tudo. Até indivíduos que conheço de Lisboa, absolutamente banais ou aparentemente urbanos, lá carregavam perucas entrançadas, rastas coladas ao couro cabeludo, calças de licra com padrões psicadélicos, para passarem uma imagem de nómada do trance mas com algodão 100% e com botas a estrear. Desta vez senti que efetivamente existem muitas pessoas que dão tudo num look freak-festivaleiro. Meninas com rendas na cabeça a combinar com os vestidos, fitas com flores de todas as cores, lenços indianos, óculos de sol incríveis aos quais eu não resisto, biquinis de luxo e cremes que douram a pele mas que nunca na vida nos deixam parecidas com a Charlize Theron. Vi muitos modelitos interessantes e cabelos para lá de sedosos. Ao contrário do meu que durante 5 dias nem shampô viu. E do meu estilo absolutamente inovador que passou de um chanti negligé a um querolásabé. Mas a sorte é que o bronze faz milagres, a alegria dá um brilho aos olhos e a liberdade torna-nos mais sexy. Claramente que as Constanças e as Carminhos andavam por lá a desfilar peças exclusivas que lhes assentavam muitíssimo bem. Só faltava darem um beijinho quando se encontravam no Dance Temple, ao lado dos mamados que dançavam há mais de 24 horas sem pés e com fungos nos olhos. O Boom é dos poucos sítios que conheço, além do 49, onde a betalhada se sente ligeiramente constrangida, o que é ótimo.

Naturalmente que nem tudo é fake. Também conheci muitas pessoas que habitam na sua verdadeira pele e que, tal como eu, estavam a ser fiéis à sua personalidade sem precisar de gastar 100 euros na Mascarilha antes de ir para a Boomland.

Staff

Tenho quase a certeza que o Staff do Boom, antes de arregaçar as mangas para iniciar o trabalho, tem um workshop intitulado: “Como servir pessoal em LSD durante uma semana?” Uma das aprendizagens que adquirem, pareceu-me, é assumir precisamente o mesmo estado psicadélico dos restantes boomers. Passo a explicar: Num belo dia, quando comprávamos o nosso pequeno almoço, fomos incentivados por uma senhora sorridente e de olhos esbugalhados, que trabalhava num dos espaços da zona da restauração, a comer um naco de melancia com 2kgs com a ajuda de uma colher. De madeira. Tivemos que lhe dizer, de forma simpática e cuidadosa para que não tivesse uma bad trip in loco, que estávamos perante um desafio incontornável e que agradecíamos que cortasse a puta da melancia asap. É certo que ela provavelmente bebe leite de soja com um garfo e come quinoa com uma palhinha mas cada um sabe de si e o Xamã saberá de todos. Namasté.

Numa outra ocasião, uma amiga ao pedir ajuda na zona de informações para carregar o telemóvel, visto ser mãe e estar incontactável por quase não existirem tomadas disponíveis no recinto, foi aconselhada a “fazer amigos” no mercado que tivessem compaixão suficiente para a ajudar. “Faz amigos no Mercado, vais ver que te vão emprestar uma tomada!” – Disse a senhora espiritual do balcão de informações. Que amável.

Esta querida amiga (realmente não teve muita sorte) também assistiu ao desmaio de um estrangeiro que, com o Sol, perdeu os sentidos ao seu lado. Na esperança de existirem pessoas no festival dedicadas a resolver estes assuntos, aparentemente graves, foi ao encontro de um segurança que a ajudasse, ou seja, que levasse o raio do bife em desidratação para um posto médico. Eis que lhe respondeu:  “Vais ter que arranjar uns amigos para tirá-lo daqui pois neste momento não temos possibilidade de o ajudar, está tudo a quinar no Dance Temple.”  Lá está, o Boom Festival mais uma vez a propagar a amizade como solução para todos os males. Tanto misticismo chega a arrepiar-me.

Triângulo das Bermudas Psicadélico

No recinto são quase 40 mil seres de todas as nacionalidades e feitios a caminharem de um lado para o outro, uma multidão que também inclui pessoas que queres encontrar e com quem combinas mais de 20 vezes sem sucesso. É impossível marcar horas, agendar compromissos naquela região de estado de espírito. Eu mantive-me na linha onde lidera a máxima “eu não faço planos, nem cumpro promessas” e estive quase sempre sem bateria no telemóvel. Go with the Flow. Para dançar, ver o pôr do sol, rir, curtir com os amigos não precisamos de horas marcadas. Os amigos que encontrava por acaso, excelente, quem não encontrava, azarucho.

Por outro lado, todas as pessoas que, ao contrário destas, fazemos alguma questão de não encontrar tais como, colegas de trabalho, familiares afastados, ex namorados, ex situações amorosas da vida que simplesmente não nos apetece ver, pimbas… esbarramos com elas ao virar da esquina. E sempre nos momentos em que estamos prestes a ligar para a linha de apoio à dignidade pessoal, como sejam: rebolar na palha às gargalhadas, com galhos no cabelo, em topless, e tudo isto com aquela cara de quem não dorme há 24h. Obrigada Vida.

Mas existe o outro lado transcendental deste triângulo. Nós tivemos o prazer de conhecer o nosso 4º elemento no festival. O Diogo. O Diogo Incrível. Homem de estatura mediana, assim para o loiro, já era remotamente conhecido de Lisboa. Como é que percebemos que se tratava do nosso 4º elemento? Porque, sem combinarmos nada, o Diogo Incrível encontrava-nos dia a após dia das formas mais inusitadas. Sempre que resolvíamos repousar numa sombra com os corpos estendidos no nosso maravilhoso lenço étnico de tons terra, algures a relaxar e a beber cidra, surgia Diogo Incrível sozinho, procurando carinho e atenção. No fundo, em busca de uma família. Foi um elemento que acolhemos e que foi fundamental para a nossa diversão constante. Além do mais era uma peça trendy a acrescentar ao nosso trio pois possui um físico camaleónico que lhe permite um styling incrível. Com o seu lenço molhado a recriar uma espécie de Tuareg e calções de banho com um ligeiro rasgão, Diogo encarnou personagens entre o turista, o nativo e o mogli que fizeram as nossas delícias. Obrigada 4º elemento, não serás esquecido.<3

 

Homens – Avatares de Luxo

Parece estranho ter uma categoria com este nome mas não é, acreditem. Meninas que dizem que o homem português é muito jeitoso, por favor, mais noção. O homem tuga, no seio de todos os outros (Suecos, Alemães , Israelitas) é um mero anão de barbas. Percebi que Deus ouviu as minhas preces e me ofereceu 5 dias repletos de machos nas alturas, com mais de 1.90, troncos perfeitos e bronzeados, olhos rasgados, cabelos semi compridos, sorridentes e armados ó espiritual (mesmo que não sejam completamente genuínos, nós acreditamos que são iluminados e portanto apreciamos). Sonhos de carne e osso dos quais só acordamos quando, de repente, botamos a vista nas calças de Aladino que quase todos vestem. Verdade. Nada é perfeito nesta vida. Mas antes um Brad Pitt com calças-balão do que um Génio da Lâmpada com uma mochila Montecampo. Ali, até o israelita que trabalhava como cozinheiro na banca dos falafels, e que virava as fajitas ao lume, podia ser cara da campanha Viktor&Rolf. Eu quase me apaixonei por um destes avatares, de olhar escuro, cabelo desgrenhado e uma estrutura óssea que só podia vir de Marte. Acontece que o desgraçado andava por lá sempre todo nú e eu, a muito custo, cheguei à conclusão que ainda não estava preparada psicologicamente para virar a sua Eva. Ai que difícil é desprendermo-nos dos preconceitos da cidade. Sim, porque eu ao seu lado parecia nascida e criada em Manhattan. Precisamente, mesmo com o cabelo sujo.

Healing Area

Além da música, da paisagem e claro do convívio livre entre amigos, o Boom também oferece uma série de experiências místicas. Uma delas consiste em estar dentro de uma piscina com alguém que nos pega ao colo e que, durante 40 minutos, nos faz dar voltas ao corpo enquanto estamos submersos na água. Objetivo? Fazer com que passemos pelas mesmas sensações experienciadas no útero da nossa mãe. Pareceu-me interessante mas ao mesmo tempo demasiado aventureiro. Da forma como passamos lá o dia, era gaja para me afogar ou então ficar no útero para sempre.

Este lado mais chanti do festival desperta-me curiosidade e a maior parte dos meus dias foi passada na Healing Area onde o som é feito de batuques e “La Goa” é mais limpa e bonita. Passámos horas a observar pessoas que raramente encontramos por aí. Casais nus a meditar à beira da água, pessoal a fazer yoga em grupo, meninas em ácido a fazerem tranças umas às outras. Parecia o Braveheart em LSD.

Em todas as tendas onde aconteciam atividades como meditações guiadas, aulas de expressão corporal, e mais coisas que não consigo descrever porque estou mais distante da minha espiritualidade que de Tóquio, vinha uma voz feminina que entoava sempre as mesmas frases: “Feel the Mother Earth and the Energy” “We are One” ou “We are Love” eram algumas delas. Confesso que, às tantas, senti uma espécie de Siri do Boom que toda a gente respeitava. A Siri pedia para se meterem de gatas a meditar, um segundo depois estava tudo de gatas. Bandos de pessoas de gatas ou em posição de tartaruga começaram a assombrar as minhas visões. Esta Siri era um pouco perigosa, pensei. Senti ali um ligeiro tom de seita mas não me deixei levar. Foi aqui que, alguém no grupo sentiu o mesmo que eu e disse: “Bora para o Lux?”  De facto era o que pensava. Claro que não há nada melhor que a natureza e a liberdade de expressão mas qualquer coisa no ar me indicava que há uma espécie de comportamento piscadélico-espiritual (se é que isto existe) que as pessoas banais ali adotam para se expandirem durante estes dias. Não há nada de errado em fazê-lo mas parece-me que meditar com 40 graus dentro de uma tenda enquanto se ouve trance do demónio lá ao fundo, talvez não seja o estado mais embrionário de iluminação. Fica a reflexão.

Dance Temple 

Há várias tendas de música mas nenhuma como esta. Para quem aprecia trance (no meu caso durante uma hora no máximo) é o oásis da dança. Mesmo quando não estás no mood de abanar o capacete, é impossível entrar naquele ambiente e ficar parado. Pessoal louco aos pulos de borrifador nas mãos, vai metendo conversa e alargando os grupos. By the way, o borrifador é um instrumento indispensável ao conforto naquele microclima de inferno. Até o Diabo precisa de se borrifar em Indanha-a-Nova. Durante o dia o ambiente é apetecível, à noite parece um pedaço do Mad Max onde o exército do mal se morde para ganhar mais pica para não ir à cama. Nus lavados em lama misturam-se com freaks que já carregam os odores próprios de quem nunca ouviu falar em Nívea. Nada contra mas é a mais pura das verdades. Ainda assim, este espaço consegue engolir-nos de uma forma que só temos sentidos para as luzes, sons, e claro, para borrifar de vez em quando um giraço que aparece.

O Regresso

Foi péssimo. Quando entrei no elevador do edifício onde trabalho não sabia sequer o andar onde carregar. Acho que se o Boom no futuro durar 15 dias, na volta vou ter de passar na loja do cidadão para perguntar o meu apelido. O poder de abstração é tanto que te esqueces deste Universo.

Isso é de valor. E tão raro.

We are Love,

D.

PS: Obrigada meu querido André por todo o amor,  gelo e carregamentos disponibilizados 🙂

Diva a morrer de Calor.

Coisas que equacionamos como válidas quando passamos noites em branco por causa do calor:

. Colocar a almofada no congelador.

Passou-me pela cabeça mas depois temi que ficasse a cheirar a douradinhos. A única coisa que me travou.

. Ir dormir para a cozinha.

Foi por um triz. Só não fiz daquele chão fresco a minha cama, porque tenho quase a certeza que é o mais recente habitat da besta de uma osga.

. Molhar a almofada.

Ideia estúpida na qual ainda pensei durante cerca de 10 minutos.

. Dormir de cuecas, e com a janela aberta, ignorando qualquer vulnerabilidade perante os vizinhos.

Não tenho outra hipótese. Feliz Natal antecipado.

. Abanar-me com o que tenho mais à mão, a cerca de 30 km/hora, e em posição fetal, para conseguir receber o fresquinho pelo corpo inteiro.

Quando percebi, a “coisa mais à mão” era o meu contrato de trabalho. Ainda bem que guardo estas coisas importantes na mesinha de cabeceira, dão imenso jeito.

. Dormir com um vaporizador de água termal para me ir refrescando.

Posso não ter ar condicionado mas não vivo sem o vaporizador da Vichy. 

 

Tenho os meus mínimos.

Alô.

Love,

D.

Diva e Detalhes na Cozinha.

Existem momentos determinantes na nossa vida. Alturas em que percebemos que, afinal, dentro de um ovo está uma gema nunca antes vista. Há detalhes na cozinha que, se dermos conta, podem ajudar-nos muito a sermos felizes na divisão mais cansativa da casa. Sem grandes tachos e panelas, é possível fazer milagres.

Este foi um ano de descobertas realmente profundas no que diz respeito à culinária.

Ei-las:

Couscous

Com azeite, água e estes pequenos grãos, que na roda alimentar estão entre o arroz e a massa, em 3 minutos temos marmita para trabalho. Curiosamente, acompanham muito bem com nuggets de frango. Outros que, em apenas 6 minutos no microondas, estão igualmente pret a manger. E para aqueles que dizem “ai eu não uso esse objeto do demónio por causa das emissões de radiação” – Falamos quando apanharem cancro no pulmão sem nunca terem fumado um único cigarro. A vida é sádica meus amigos. Desenganem-se.

 

Tostas Mistas com Maionese e Dijon.

Foi um dia bonito aquele em que descobri que uma tosta mista com maionese e mostarda Dijon se transforma no melhor Croque Monsieur de Paris. É incrível como estes simplórios molhos numa tostadeira, e com muito queijo, se revelam um manjar dos Deuses. Cai muito bem ao jantar, sabe ainda melhor durante uma ressaca.

E tudo isto com apenas 1500 calorias… Quem diria…?!

Quem não aprecia Dijon deve continuar a comer Panrico com marmelada. Seus maricas.

 

Salsa verdadeira em tudo e todos

Há uns tempos, enquanto cozinhava em casa de um amigo, perguntei-lhe se tinha salsa. Respondeu-me: “Claro! Uso sempre ervas” e encaminhou-me para a prateleira dos frascos (e não dos frescos). Dei por mim a confundir salsa com oregãos. Intrigada, aceitei. Dei-lhe a dica que, às vezes, as coisas frescas fazem alguma diferença.  Não me adiantei muito visto que não sou julgadora e como couscous com nuggets. Porém a salsa foi uma descoberta. Dá aquele ar natura aos pratos… Faz de uma miserável massa com atum uma verdadeira pasta di tonno fresco!

 

Delícias do Mar

Desde pequena que ouço falar mal das pobres coitadas. Dizem que são a escumalha do mar e que são feitas com os restos de toda a merda que se apanha no oceano e arredores. Basicamente são vistas como uma espécie de salsichas marítimas nada “nobres”. Não fosse eu amiga dos desfavorecidos, voto a favor delas. São maravilhosas frescas, assim quase congeladas, banhadas em maionese ou colocadas entre duas fatias de pão escuro e um ovo cozido. São práticas, singelas e sabem a sapateira.

 

Só sugestões saudáveis.

Quem? Ágata Roquete?

Não conheço.

 

Love,

D.